O Eleito

Domingo, Janeiro 29, 2006

Fim

FIM

O Eleito

Chegámos à recta final. À meia-noite, ser-nos-á cortada a palavra. Durante cerca de 3 meses - 23 Outubro 2005 / 29 Janeiro 2006 - foram sendo publicados os 710 posts que compõem este blogue. Em debate estiveram temas como Monarquia vs. República, semi-presidencialismo vs. presidencialismo, financiamento dos partidos políticos e, claro, as presidenciais - tema que ocupou grande parte da sinergia d'O Eleito. Esteve certa a revista Visão quando nos elegeu o blogue sobre as presidenciais mais isento da blogosfera: de facto, a heterogeneidade das nossas posições políticas foi a imagem de marca d'O Eleito. Um balanço positivo, sem dúvida. Passei a ter como leitura e companhia diária os posts dos eleitos. Por detrás da frieza de um teclado e das letras que dele se soltam, e através do fio condutor das nossas ideias políticas, fomo-nos conhecendo aos poucos. Todos nos enriquecemos a cada experiência que passa, e esta não foi excepção.
Continuarei como sempre por Aveiro [recomenda-se cada vez mais], dividindo o meu tempo entre o Dolo Eventual e a restante blogosfera, entre a minha escrita e os amigos, entre o despertar da minha carreira de advogado e o cinema. Não mais divido o meu tempo entre a leitura e a postagem n'O Eleito, mas continuarei a seguir os colegas nos respectivos blogues. Terei, por outro lado, o privilégio de conhecer pessoalmente alguns dos eleitos no jantar do próximo Sábado. Por isso, o meu simples até já.

Até Já!

E cá estamos...

O projecto d'O Eleito até nos correu bem. Na verdade cheguei a ter receio de um flop. É que isto de nos instalarmos na terra de ninguém tem os seus custos garantidos. Mas valeu a pena. A nossa ideia era discutir a república e as presidenciais a partir das suas margens, a partir de quem nada tinha a ganhar ou a perder. Era uma ideia arriscada ou “sem jeito nenhum”. E era mesmo! Por isso tivemos o cuidado de recrutar quem estava menos a jeito para estas coisas, com quem diz, quem pudesse ir a jogo sem medo de perder. No fim, ganhámos todos.

Como disse o Tiago Alves, o DoloEventual é um «blogue que se mete em trabalhos». Fazemos questão de continuar a explorar todas a potencialidades da blogosfera e outros projectos surgirão. Contudo, O Eleito morrerá aqui. Tomámos nota das sugestões do José Raposo e do Jorge Ferreira. Em particular, esta última, a de reconvocar as hostes para um O Eleito II a propósito do debate do referendo do aborto parece-me muito interessante. A seu tempo veremos. Para já, eu e o Pedro queremos dedicar mais tempo ao DoloEventual.

Pelo meu lado, também vou estar muito ocupado a desencalhar a minha tese de mestrado sobre a indústria e comércio livreiro no Porto na segunda metade do século XIX (podem acompanhar o meu bloco-notas aberto aqui: http://acidadeolivro.blogspot.com) e a coordenar a produção de uma exposição de arte contemporânea a realizar na Baixa do Porto em pareceria com SRU PortoVivo (dentro de pouco tempo serão divulgados mais pormenores, para já só posso acrescentar que será uma exposição com cinco jovens artistas portugueses e um japonês). A isto ainda acresce o tempo que tenho em dívida para com os meus alunos.

Mesmo com a agenda completamente minada, atrevo-me a deixar no ar uma sugestão, na esperança de que alguém com mais disponibilidade a possa pôr em prática: Um blogue que, na linha do O Eleito, assumisse a missão cívica de «observatório das actividades presidenciais», constituído por bloggers de todos os quadrantes políticos, contanto que fosse encabeçado por um blogger cavaquista (para evitar más interpretações) com o objectivo de continuar a discussão para além do período eleitoral. Seria, ao mesmo tempo, um compêndio de informação sobre a acção do PR e um fórum de discussão. Fica o desafio no ar.

Fica aqui um abraço e os meus agradecimentos a:

Afonso Henriques
Américo de Sousa
Biranta
Isabela
João Oliveira
Jorge Ferreira
José Raposo
Karloos
Luís Bonifácio
Manuela Fonseca
Mário Almeida
Paulo Cunha Porto
Paulo Pereira
Paulo Salvador
Tiago Alves

E, claro, a:
Pedro Santos Cardoso

Até já!
(como quem diz: até Sábado, dia 4, no Festim do Eleito)

Recta Final

Andava eu na minha vida habitual a escrever umas coisas para consumo interno quando me chamou à atenção o Dolo Eventual, que passou a ser uma consulta habitual. Mal sabia que os "Dolos" acabariam por me convidar para este trabalho de dissertação politica colectiva...
Aqui n'O Eleito irritei-me e sorri com as opiniões que foram aparecendo e isso só pode querer dizer que valeu a pena, pois as melhores coisas da vida são aquelas que não nos são indiferentes.
Para o Pedro e para o David o meu obrigado pelo convite.
Para todos, obrigado pelo desafio que foi participar neste projecto nos ultimos meses.

Até Sempre

Nunca tinha participado num blogue colectivo. Fui "Eleito" pelo João Oliveira, a quem agradeço a lembrança, num almocinho na Versalhes, em Lisboa, entre as correrias do dia-a-dia, para participar nesta inédita e bela experiência. Apesar das tirânicas ocupações do dia-a-dia e apesar do Tomarpartido, do Olissipo, do Jorge Ferreira e do Comunicar a Direito, participar em O Eleito foi um tempo de prazer intelectual. Nem sempre a falta de tempo me permitiu, como gosto, de replicar e dialogar mais com os colegas. Mas o balanço é mais que positivo.
Agradeço também aos moderadores a hospedaria e a mestria com que exerceram as funções. Ainda não sei se no próximo sábado poderei estar no jantar em Aveiro. Outras ocupações de natureza partidária reclamam a minha presença. Mas mesmo que não esteja lá fisicamente estarei em espírito e proponho até que o jantarinho passe a ser uma regularidade. Até porque a política não morreu e outros momentos se aproximam em que talvez se justifique reabrir o estaminé. Estou a pensar a título de exemplo no prometido referendo sobre o aborto.
Obrigado a todos. Até sempre.

Em Jeito De Despedida!

Na “pré-história” das teorias do comportamento uma das discussões que mais apaixonavam os teóricos versava sobre os factores determinantes do comportamento humano. Uns defendiam que o comportamento era determinado pela “informação genética” (coisa que, nessa altura, não se sabia bem o que seria), que se herdava, por nascimento, sendo transmitida pela linhagem; outros, mais “materialistas” desmentiam essa tese dizendo que eram a “educação”, a instrução, a experiência, os factores determinantes do comportamento.
No século XVIII estas teses resumiam-se, respectivamente, nas seguintes frases: “Penso, logo existo!”; à qual os defensores da segunda tese contrapunham: “Existo, logo penso!”.
É óbvio que estou a assumir, aqui, como “comportamento” não apenas a forma como as pessoas actuam, mas também as suas opiniões e opções ideológicas.
Hoje sabe-se que nenhuma daquelas “teorias”, explicativas do comportamento humano, está completamente certa.
As pessoas são, via de regra, um misto de “informação genética” e experiência, “educação”.

Como todas as regras, também esta tem excepções. Com todos os conhecimentos actuais sobre o genoma humano, sabemos que há casos em que a informação genética parece ser o factor determinante, mas muitos outros casos há em que a experiência tem um papel tão decisivo que até determina alterações profundas nos comportamentos e concepções dos respectivos indivíduos, em função da vivência de determinadas experiências ou acontecimentos.

Falando-se de comportamento, temos que referir que também é inegável a existência dum padrão de comportamento, maioritariamente adoptado, que é determinado pelas condicionantes sociais, pelo funcionamento da sociedade e das instituições, determinado “superiormente”. Quero eu dizer que a forma como uma sociedade é governada e organizada, a forma como funcionam, ou não, as instituições, determina, maioritariamente, o comportamento do seus elementos, ao contrário do que se pretende fazer crer, frequentemente, entre nós, culpando a “natureza humana” e “os outros”, pelas nossas desgraças.

Nas filosofias orientais (onde predominam as “ideologias” em que o indivíduo encontra a sua máxima realização, na harmonia do “conjunto”) uma parte das pessoas “cultas” interage, com a sociedade, também, através da meditação; ou seja: usando uma capacidade humana que é, entre nós, quase clandestina: a energia.
A vantagem desta postura filosófica é que ela “nos” leva a evitar ter atitudes más e perversas, prejudiciais à sociedade, ou com efeitos negativos, porque isso afecta negativamente, “o equilíbrio” do conjunto, prejudicando-nos a nós também. Outra vantagem é que se valoriza o bem-estar comum, porque ele contribui e é determinante para a felicidade pessoal, também, por aquela interacção.
Há outro mérito nesta maneira de estar na vida: a falsidade e a astúcia usadas para prejudicar o conjunto em prol de vantagens particulares são desprezadas, não só devido ao referido efeito perverso, que atinge também o indivíduo, mas também porque essas atitudes e os respectivos protagonistas ficam facilmente expostos, por ser perceptível, para algumas outras pessoas, através das percepções “energéticas”, que são elementos perniciosos.
Semelhantemente, também acho que chegámos a uma situação eu que “ou nos salvamos todos, ou vamos todos para o fundo”, de nada servindo as “vantagens” particulares que alguns têm a ilusão de obter, em detrimento de todos…
Apesar de tudo o que fica dito, a meu ver, a forma como as pessoas se comportam, neste contexto (da interacção social) é, fundamentalmente, resultante da “educação”, do conhecimento, do nível de cultura, do nível intelectual (é importante ter capacidade para perceber o quanto os actos perversos nos afectam a todos, mesmos os que praticamos pensando tirar vantagem).
Esta coisa das energias, e seus efeitos, é comum a todas as pessoas. Digamos que a sua concretização mais “vulgar” se traduz naquilo a que os romancistas decidiram chamar “amor à primeira vistas”. Mas há muitas outras situações em que estas “energias” são bem perceptíveis… basta ter atenção! Digamos que é assim que se explica que os que prejudicam a sociedade não possam nem consigam ser felizes... Digamos que é assim que se explica aquela teoria de que as pessoas "infelizes" atraem "infelicidade"...

Nós, ocidentais, que encaramos as coisas doutro modo, costumamos explicar (ou condenar) os comportamentos como sendo impulsivos, impertinentes, imprudentes, ou malcriados (culposos) até… sem termos em conta a coerência das próprias pessoas, no meio de todo o “desconforto” do conjunto, que as afecta…
É que, em situações como a que vivemos, neste “conjunto”, é natural que as perturbações no “bem-estar” colectivo e, consequentemente, na harmonia energética, afecte as pessoas mais sensíveis e explique os seus comportamentos, “inexplicáveis” para alguns.
O drama dos contestatários é que não lhes será possível ter “sossego”, sem que o “bem-estar” comum esteja minimamente garantido. Esta viagem não tem volta… é uma “opção” sem alternativa.
No entanto, qualquer pessoa de bom senso questiona a bondade das suas próprias convicções, opiniões e propostas, constantemente.
É da discussão que nasce a luz! E é com o confronto de ideias e conceitos que os nossos próprios conceitos se fortalecem, se aperfeiçoam… ou abanam e se alteram
(quando há capacidade, e espaço, para melhorar).
Ora, para haver confronto de ideias, é necessário que existam “espaços” de debate, de democracia, onde a democracia seja possível. Quando se instala a “paz podre” a degradação é inevitável e imparável…

Aqui, em “O Eleito” esse confronto de ideias foi possível, foi útil e foi “estimulante”.

Resta-me pedir desculpas aos “confrontantes” mais sensíveis (ou menos habituados à contestação). Espero que todos tenhamos crescido um pouco.
O Eleito valeu a pena; mas, se cada um cresceu um pouco, valeu um pouco mais a pena!
O meu balanço é muito positivo!
Um abraço a todos!

Sábado, Janeiro 28, 2006

Até À Próxima


Foi com gosto que fui acompanhando e participando no debate sobre a res publica, iniciativa dos Dolos Eventuais David Afonso e Pedro Santos Cardoso proprietários do estabelecimento por eles crismado de O Eleito.
Agradeço a oportunidade que me foi dada de ter feito parte da tripulação desse cargueiro de opiniões diversas, por vezes díspares e frequentemente antagónicas, um espaço muito próprio, plural nas convicções e democráticamente abrangente. Uma iniciativa (esta sim) fixe.
Bem hajam.

COMUNICADO II

COMUNICADO II

Conforme foi comunicado anteriormente, O Eleito encerrará as suas portas já no dia 29 de Janeiro (Domingo) pela 20:00. Apenas dois bloggers manifestaram opinião em contrário e assumimos o silêncio dos que não se pronunciaram como uma anuência. Seria interessante que todos os intervenientes aproveitassem esta recta final para publicarem o seu balanço pessoal da iniciativa.

Entretanto, o Festim do Eleito está programado para Aveiro, dia 04 de Fevereiro, em local ainda a definir. Espero contar com a presença de todos. Pelo sim pelo não, este fim de semana os bloggers que ainda não confirmaram a presença no Festim serão notificados :)

Quinta-feira, Janeiro 26, 2006

O Festim Do Eleito

Amigos eleitos,

Para encerrar esta iniciativa propomos um Festim na sempre airosa Cidade de Aveiro no dia 4 de Fevereiro (Sábado). Só falta decidir duas coisas: a) Almoço ou Jantar?; b) Restaurante?
Deixamos ao critério dos comensais a questão a). Quanto à questão b), nós próprios estamos a tratar do assunto (mas estamos abertos a sugestões).
Convidamos todos os Exm.ºs camaradas de Blogue a confirmarem nos cometários a presença, bem como a preferência por almoçarada ou jantarada.

David Afonso
Pedro Santos Cardoso

“Apanhados” Da Noite Eleitoral!

Na noite das eleições, Soares e os membros do governo que o foram “cumprimentar” confirmaram as minhas suspeitas, ao afirmarem, repetidamente, o sentimento de “missão cumprida” por parte de Soares; bem como o agradecimento pelo seu esforço e disponibilidade em prol “do País”…
Claro!
Missão cumpridíssima!
Sempre foi evidente que a missão de Soares era “proteger” Cavaco da indignação dos cidadãos em relação aos abusos e desmandos (crimes) que têm sido praticados pelo governo…
Eu sempre disse que o candidato de Sócrates era Cavaco (acho que Sócrates votou Cavaco e não Soares).
Também disse que a “missão” de Soares era eleger Cavaco (provavelmente, até Soares votou Cavaco).
Não é que isso me incomode, especialmente. É que não gosto de ver esta gente vigarizar e manipular “as massas”. Ainda por cima de forma tão primária e cretina como definir o objectivo principal de “derrotar Cavaco Silva”, todos contra Cavaco (assim como um osso que se atira aos cães) quando pretendiam exactamente o contrário. Quando eles deitam mão destes estratagemas, só pode ser para os piores fins possíveis. Além de que isto não ajuda nada, pelo contrário, à necessária e premente elevação do civismo e dignidade colectivos.
Só Ana Gomes destoou deste consenso, ao dizer que Alegre se devia sentir culpado… Ana Gomes faz parte do grupo dos que, quando abrem a boca, “ou entra mosca ou sai asneira”… como não havia moscas, por ali…
Ana Gomes denunciou, bem, a lógica, pérfida, dos políticos que não só desprezam os sentimentos e o querer da população, como acham que podem, sempre, manipular as vontades e impor as suas próprias escolhas… desde que não haja alternativa… Não se trata de proporcionar a melhor escolha, mas de impor a que lhes convém, liquidando as alternativas…
Alegre cometeu o pecado de lesa mafiosos de se assumir como alternativa ao “lixo” do costume.
Ana Gomes explicou, bem, que não adianta esperar convencer os políticos a terem um comportamento mais digno, mais democrático e mais idóneo, para com os cidadãos. Não adianta “argumentar”, com gente tão pérfida assim, porque “eles irão continuar a ignorar-nos e a cometer todo o tipo de desmandos, enquanto puderem, enquanto tiverem o controle absoluto e incontrolável do poder, dos meios de decisão. Como muito bem explicou, com estas palavras, Ana Gomes, para eles a vontade do povo só conta se for a imposta por eles e pelas suas manipulações…

Cavaco, no seu discurso de vitória, para se redimir da atitude durante a campanha, começou por agradecer (prestar vassalagem) às “personalidades” e aos partidos apoiantes, com menção explícita aos respectivos líderes.
Só no final do discurso vieram as palavras “de circunstância”, tais como “ser o Presidente de todos os portugueses”.
Esta estrutura do discurso é nova e diferente. Habitualmente, estes discursos começam com as palavras “de circunstância”.
A dúvida que me assaltou, desde logo, foi:
Será que Cavaco quis descansar os partidos seus apoiantes, quanto à vassalagem que entende lhes ser devida e lhes vai prestar? Ou será que fez exactamente o contrário, tentando “saldar” as dívidas, com este agradecimento e se libertar das algemas?
Não creio que Cavaco tenha estrutura intelectual nem de carácter para “se libertar das algemas”… Até porque tem muitos conceitos, perversos, coincidentes com os destes partidos (de todos os partidos). Mas cá estamos para ver!
Tal como censuro e condeno os actos condenáveis, também cá estarei, para aplaudir, se for caso disso…

Chateia-me esta sensação de desconforto que sinto, por me parecer que “Cavaco em Belém” vai ser pior do que foi “Santana em S. Bento”.
De qualquer modo foi uma noite enfadonha…. Com tudo a decorrer como previsto!
Publicado também em Editorial e em Sociocracia

Quarta-feira, Janeiro 25, 2006

Comunicado

COMUNICADO

Apesar do Ponto 4 dos nossos Estatutos prever o encerramento d'O Eleito apenas aquando da tomada de posse do novo PR, os moderadores propõem agora que se encerrem as portas deste estabelecimento já no próximo Domingo, dia 29 de Janeiro. Se existir acordo entre a maioria, a partir das 20:00 desse dia os bloggers serão desvinculados d'O Eleito. O blogue, no entanto, permanecerá consultável.
Caso a maioria dos colaboradores considere útil manter O Eleito até ao dia 9 de Março, nós acataremos a sábia decisão dos nossos companheiros. Convido todos a expressarem a sua opinião sobre este assunto nos comentários.
PS: Quanto ao jantar brevemente teremos notícias.

Terça-feira, Janeiro 24, 2006

Notas Pós-Eleitorais 6

O CDS/PP já apareceu para cobrar a dívida recordando que sem o seu apoio a vitória de Cavaco não teria sido possível. Na sede deste partido moram aqueles que mais torceram por este resultado e aqueles que mais o festejaram. Porquê? Porque se o futuro PR tivesse sido eleito com os majestosos 60% ou se tivesse de recorrer a uma 2ª volta, o apoio de CDS/PP seria irrelevante. Assim, os 50,59% de Cavaco ainda permitem à formiga puxar o catarro. Pois estão a perder o seu tempo. Na cabeça de Cavaco o cálculo é outro: «Consegui a 1ª volta apesar do CDS/PP!». A única conta que o vencedor tem a saldar é com o centrão que o elegeu. Têm dúvidas? Quando a questão do aborto estiver de novo em cima da mesa vamos ver se Cavaco vai dar ouvidos à direita popular ou à maioria que o elegeu que é quase a mesma que elegeu Sócrates.

Notas Pós-Eleitorais 5

A erosão das intenções de voto no Professor Cavaco sugere duas coisas: 1. Apesar de a campanha eleitoral do candidato vencedor ter sido a mais profissional de todas, o cálculo da equipa foi bastante arriscado, dado que não parece ter existido uma estratégia alternativa: à boa maneira italiana, a candidatura limitou-se a defender a vantagem inicial; 2. Se, por acaso, a candidatura de Cavaco tivesse sido lançada uma semana antes, talvez o efeitos da erosão se tornassem irreversíveis. O único ponta-de-lança disponível era Soares e ele tudo fez para que Cavaco abrisse o jogo. Aqui fica a minha primeira crítica a Alegre: não atacou a candidatura à sua direita, limitando-se a rentabilizar o desgaste do esforço alheio.

Imprensa (24/01/2006)

In The End

Se me lembro bem, este blogue extingue-se depois das Eleições.
Assim sendo, acho que todos nós nos podemos orgulhar de termos, a exemplo dos senhores de Manuel Alegre, feito parte de um movimento cívico de debate. Se alguns acharam que o civismo se ausentou (e por isso se ausentaram), eu não posso concordar com eles, embora a sua decisão seja de respeitar.
Foi para mim uma grande honra fazer parte desta iniciativa (vénia aos Dolo Men) e espero que o sentimento seja partilhado por todos. Afinal, estivemos na linha da frente. Se o tempo (a falta de) e o imprevisto (o computador no estaleiro durante boa parte de Janeiro) me impediram de dar um contributo mais forte e assíduo, não me impedem de fazer um balanço final positivo desta jornada.
Apesar de a discussão da res publica ter sido suplantada pela discussão presidencial os pequenos debates e ideias não se perdem. Penso que todos saímos daqui um pouco mais ricos. Pelo menos um bocadinho. Menos o colega Biranta claro, que apesar de tudo ainda não percebeu que para ser eleito O Eleito tem de ter mais de metade dos votos validamente expressos. Isto exclui os brancos, segundo a Constituição. Mas mesmo que não excluísse (e não deveria), o professor seria eleito por 2745423 contra 2740189 (soma dos brancos com os dos outros candidatos). Isto porque os nulos, espero que concorde, não contam mesmo para nada! Ou quer o senhor considerar válidos boletins de voto com um orgão sexual masculino desenhado? Juízo.
Um abraço a todos e até sempre (e a almoçarada?). Só voltarei cá para responder ao caro Biranta.

Tiago Alves

É Normal

Mais extraordinário que a onda de apoio manifestada pela direita chineleira em torno de Sócrates após o faux pas cometido quando interrompeu as declarações de Manuel Alegre (*), é a naturalidade com que é encarado o destaque dado a Mário Soares e aos seus 14 e pouco por cento.
Ou não fosse isto Portugal.
Como teria dito Artur Jorge naquela manhã no Estádio Nacional depois de ter levado uns sopapos de Ricardo Sá Pinto: É normal, em Portugal, é normal...
(*) Afinal, ó tribunos do regime, sempre se tratavam das declarações do segundo candidato mais votado nas eleições para a Presidência da República.

Algo Se Perdeu Nestas Eleições ...

Por um voto se ganha, por um voto se perde.

Não costumava ser assim ?

Segunda-feira, Janeiro 23, 2006

Notas Pós-Eleitorais 4

A atitude de Sócrates e Soares perante Alegre é um erro. Soares ignorou Alegre no seu discurso de derrota e Sócrates fez uma marcação homem/homem nos directos da noite eleitoral. O Primeiro-Ministro vai minando o terreno à sua volta à laia de defesa contra esta ameaça. Má estratégia. O problema não será tanto Alegre - até porque este já deu a entender que nada o move contra o PS - mas o milhão de eleitores que apostaram no independente à força. Um dia, chegará a crise, o estado de graça não é eterno, e Sócrates cercado terá de desminar o terreno que agora histericamente armadilha. Aí poderá ser tarde demais. E era tão simples! Primeiro trancava-se algures a Ana Gomes e depois com um sorriso de lata poderia o líder socialista se gabar de pertencer a um partido que se renova e repensa a política, felicitando Alegre, desarmadilhando Alegre.

As Eleições Na Imprensa Estrangeira

Vencidos (5)

Por ordem decrescente de importância política: Marques Mendes, o Constâncio do PSD, Ribeiro e Castro, o Carlos Carvalhas do CDS, Santana Lopes, a prova de que o PSD não teve o seu Manuel Alegre, Paulo Portas, o especialista das últimas horas que regressa às origens do jornalismo anti-cavaquista desta vez na televisão, Vital Moreira, o polícia teórico-constitucional do estéril semi-presidencialismo português e Joana Amaral Dias, a líder da ala sistémica do desbloqueado Bloco.

Vencidos (4)

Jerónimo de Sousa. As únicas atenuantes que teve em relação a Louçã foram a excelente campanha que fez, ao contrário do seu concorrente e o facto de ter logrado mais de um por cento do que teve o PCP nas legislativas, demonstrando assim que vale mais do que o Partido. Mas a eleição de Cavaco é uma derrota histórica da esquerda toda, incluindo a dele e o discurso da reacção, aos resultados claro, mostrou um Jerónimo esquecido no mais puro estilo de metalúrgico de Pires Coxe, longe do líder afectuoso e simpático que tem sido.

Vencidos (3)

Francisco Louçã. O seu resultado não tem ponta por onde se pegue. A única consolação é ter conseguido as décimas suficientes para não ter de ir para a porta das igrejas fazer peditório para pagar a campanha. Foi confrangedor ouvi-lo falar do amplo movimento social. Onde é que esse movimento amplo pára? Terá ido de férias para a neve?

Vencidos (2)

Mário Soares. Cada vez que penso na sua candidatura só há uma palavra que me vem à cabeça.: desnecessário. A partir de ontem veio outra: inútil. Talvez para a semana chegue ainda outra: prejudicial.

Vencidos (1)

José Sócrates. Porque geriu com os pés o problema presidencial no PS. Porque sai das eleições com um partido de poder rachado ao meio. Porque revelou muito mais do que impaciência democrática, verdadeira arrogância política e desrespeito cívico pelos portugueses com a rábula de se sobrepôr a Alegre nos discursos da noite eleitoral. Para esquecer tudo o que fez antes, durante e depois das eleições.

Vencedores (2)

Manuel Alegre. Conseguiu convencer mais de um milhão de portugueses que a sua candidatura era contra o sistema partidário, ou pelo menos contra as decisões dos núcleos centrais dos partidos. É um caso bem sucedido de candidatura estritamente individual e com votos transversais. O problema maior é que não tem nada para fazer com os seus votos. O tom de desafio, o ar romântico, e o descomprometimento da sua candidatura foram eventualmente saborosos, mas inconsequentes e irrepetíveis.

Vencedores (1)

Cavaco Silva é o grande vencedor das eleições. Ganhou com mérito político e profissionalismo pessoal e propagandístico. Acabou com alguns monopólios de que a certa esquerda se arrogava. Belém era um deles. O direito quase divino de ser um civil do PS o Presidente para sempre, era outro. Durante dez anos preparou com inultrapassável profissionalismo a vitória de ontem. Ah, é verdade: espero que a comunicação social tenha percebido que os seus inquéritos de ocasião não elegem nem deselegem ninguém.

Notas Pós-Eleitorais 3

O bom resultado de Alegre apenas demonstra que a via partidária de intervenção cívica e política é apenas a via mais estreita. Se Alegre honrar o voto de mais de um milhão de portugueses deverá continuar na via larga, patrocinando vias alternativas de intervenção do cidadão na coisa pública (Helena Roseta já deu o exemplo ao promover a primeira iniciativa legislativa popular com o objectivo de revogar o anacrónico 73/73). Fundar um partido seria contraproducente e contraditório. Espero que a memória do PRD esteja ainda presente.

Um Pedido De Desculpas Público

Caro David Afonso, Pedro Santos Cardoso e todos os restantes colegas.

Queria-vos dar uma satisfação para a minha saida deste blog no dia em que, curiosamente, ele encerra a sua nobre função, da qual me orgulho de ter contribuido numa modestissima parte.

A questão é que no passado dia 7 de Dezembro fui convidado a exercer funções de assessor de imprensa na CMAveiro e tive a minha vida profissional e pessoal (estava a trabalhar em Lisboa) feita em pantanas.

Estas primeiras semanas não foram fáceis e muitas vezes pensei em escrever aquilo que entendia como o fim da minha participação no blog. Lastimo não o ter feito. é um facto.

Se calhar porque queria intervir mais, se calhar porque tinha o bichinho de escrever e participar neste blog. a verdade é que não o fiz e por isso penitencio-me publicamente.

Achei este blog um espaço de participação fantástico, que vim ler todos os dias e gostava de manter contacto, como vou mantendo, com todos vocês, via blogues...

Um abraço a todos e como imagino que outros sintam o mesmo: VIVA O REI!

Se Todos Os Votantes Contassem...

Passos Perdidos!

Se os votos brancos e nulos contassem, para o cálculo das percentagens atribuídas a cada candidato (como acontece nas legislativas), Cavaco Silva NÃO teria sido eleito à primeira volta!

Teria obtido, apenas, 49,66% dos votos

É caso para dizer que foram "passos perdidos" os dos que interiorizaram os apelos ao voto e foram tentar "marcar posição".
Estes votos não foram considerados para o cálculo das percentagens atribuídas aos candidatos, nem foram "considerados" como abstenção, contribuindo para reduzir esta percentagem (que começa a "incomodar"). Nos resultados oficiais, é como se estes eleitores não existissem...
É caso para dizer: é o cúmulo da vigarice!

Presidenciais 2006, Resultados!


No meio dum turbilhão de coisas para analisar, criticar, (cuja verdadeira dimensão e significado ainda desconhecemos) vamos ater-nos, por agora, apenas, aos VERDADEIROS Resultados Eleitorais de ontem, calculados com os números disponibilizados pelo site oficial, às 12 horas do dia 23 de Janeiro de 2006:

TOTAL DE ELEITORES INSCRITOS: --- 8 830 706 ------ Perct.
Total de votantes ------------------------- 5 529 117 ----- 62,61%

Cavaco Silva --------------------------- 2 745 491 ----- 31,09%
Manuel Alegre --------------------------- 1 124 662 ----- 12,74%
Mário Soares ---------------------------- -- 778 389 ----- - 8,81%
Jerónimo de Sousa -------------------- -- 466 428 ----- - 5,28%
Francisco Louçã ------------------------- -- 288 224 ----- - 3,26%
Garcia Pereira --------------------------- --- 23 650 ----- - 0, 27%

Abstenção + Nulos + Brancos --------- - 3 403 862 ---- 38,55%

Se eu adoptasse a atitude, estupidamente presunçosa e mesquinha, que caracteriza os políticos e os apoiantes dos concorrentes, proclamaria vitória e reivindicaria “a credibilidade” devida a se terem concretizado as minhas “previsões”.

Mas eu não faço isso porque, ao contrário dos referidos, não tenho problemas de auto estima, nem de afirmação pessoal, ou de “reconhecimento”; muito menos pretendo impor as minhas opiniões ou opções, em detrimento das alheias.

Não faço isso porque esta é uma situação deplorável, desesperante, que apenas “promete” a continuação e agravamento das “nossas desgraças”, da falta de esperança e ausência de auto estima colectivas. Não há como “alimentar” euforias (falsas)…

Não faço isso porque a circunstância de a situação ser da total responsabilidades dos protagonistas políticos não adianta um milímetro à luta por mais e melhor democracia.
Não faço isso porque eu não ganhei nada! Perdemos todos!

Não faço isso porque “mais e melhor democracia” implica igual respeito pelas opiniões e opções expressas por todos e por cada um, incluindo a abstenção (sem excluir “os outros”).
Não faço isso porque o que me move é lutar pelo reconhecimento do respeito devido a TODOS, incluindo, portanto, os que votaram em algum dos candidatos. Não estou a disputar espaço alheio, mas o direito ao próprio espaço, a que este não seja apropriado, indevidamente, por outros

Mais! Luto pela valoração da abstenção, apenas e só, porque permite resolver os nossos problemas colectivos.
Luto pela valoração da abstenção porque a nossa classe política é composta por gente sem pudor, sem vergonha e sem dignidade, cínica, a quem tem de ser imposta “rédea curta”, meios de responsabilização, para travar os seus ímpetos perversos, que nos têm destruído (e nos irão continuar a destruir, como se pode ver pelo resultado destas eleições).

Cavaco Silva foi conduzido em ombros, pelos restantes, candidatos, desde antes de ter anunciado a sua candidatura, até à eleição. Ganhou, com a ajuda de todos os outros. Por isso nenhum se pode queixar dos resultados, que ajudaram a “obter”. Principalmente o Primeiro Ministro, apostou, desde o início, na eleição de Cavaco Silva. Este foi o “seu” candidato, desde sempre. Eles são da mesma laia… TODOS!

Já agora, como termo de comparação (e porque este post tem grandes probabilidades de ser lido à distância; no tempo e no espaço), aqui ficam as percentagens oficiais, de votos, atribuídas a cada candidato:
Cavaco Silva ------ 50,59%
Manuel Alegre ---- 20,27%
Mário Soares ----- 14,34%
Jerónimo ---------- - 8,59%
Louçã -------------- - 5,31%
Garcia Pereira ---- - 0,44%

Convenhamos que ser eleito com 50,59%, ou ser eleito com 31,1% dos votos tem significados completamente diferentes. A vigarice é tal que a população nem sequer tem direito à verdade dos números…

Notas Pós-Eleitorais 2

50,59% não é um resultado que permita afirmar que o país deu uma guinada à direita. Os eleitores de Cavaco são em grande maioria os mesmo eleitores de Sócrates. Os mais radicais nestas coisas ainda podem a afirmar que ainda não foi desta que a direita elegeu um PR (e a memória de Cavaco a cantar a Grândola, Vila Morena não ajuda nada).

Notas Pós-Eleitorais 1

A vitória de Cavaco é clara, no entanto não se tratou de um episódio de «favas contadas» como todos (todos: Cavaco, PSD, PS, Soares, Imprensa em geral, Garcia, sondagens, etc...) diziam que ía ser. Para já, duas certezas: as sondagens empolaram o desempenho do Professor (e de Soares...) e se a estratégia da esquerda tivesse sido mais consistente a cantiga agora era outra.

O Discurso A Eleger

O Prof. Cavaco passou a campanha a encenar a pose de Estado que lhe permitisse exibir a credibilidade justificativa da sua disponibilidade para o lugar. O Presidente Eleito terá agora de articular uma atitude humana, contrária à distanciação, para se credibilizar como digno dele. Nos actos será mais fácil do que nos discursos, já que os do Presidente pouco ouvidos são. Pode começar, no entanto, pela forma deles, suprimindo as prolongadas pausas de leitura das vírgulas, um tanto irritantes no discurso da vitória. E é esta desvirgulação do Supremo Magistrado da Nação bem ilustradora da tragédia que é ter de, à vez, adoptar retóricas entre si opostas, tudo por não haver sido, desde o berço, treinado para o efeito, com a enformadora autenticidade do sentir e do sentido.

Imprensa (23/01/2006)

Vencedores E Vencidos

Vencedores
Cavaco Silva
José Sócrates (Primeiro-Ministro)
Manuel Alegre (o que ficou à frente de Soares)
Jerónimo de Sousa
Marques Mendes (o que apoiou o candidato vencedor)
Ribeiro e Castro (o que apoiou o candidato vencedor)
Ramalho Eanes
Freitas do Amaral
Garcia Pereira
António Borges
Pulo do Lobo

Vencidos
José Sócrates (Secretário Geral do PS)
Mário Soares
Clã Soares (é muita derrota em três meses)
Manuel Alegre (o que não forçou a segunda volta)
Francisco Louçã
Santana Lopes
Joana Amaral Dias (a do BE)
Joana Amaral Dias (Mandatária de Mário Soares)
Rui Oliveira e Costa
Marques Mendes (o que vai ter a vida dificultada na oposição)
Ribeiro e Castro (o que vai ter a vida dificultada no partido)
Super Mário

Prontos

E prontos!

Cavaco lá ganhou e Maria Cavaco substituirá Maria Rita como primeira dama - ligeira melhoria, mas pouco.

Quanto às sondagens, estiverem bem mais afinadas que nos últimos actos eleitorais. Através de uma leitura apressada do Margens de erro, vejo que a sondagem que mais se aproximou dos resultados finais foi a do Correio da Manhã feita pela Aximage e publicada no dia 20. Curiosamente esta foi a que teve uma amostra menor. Coisas que Pedro Magalhães explicará concerteza.

Quanto a Vencedores:
CAVACO, claro
Manuel Alegre - colocou Soares no seu devido lugar!
Jerónimo Sousa - concorreu para defender a sua posição e venceu Louçã em toda a linha.

Vencidos
SOARES - levou o maior banho da sua vida e ... não havia necessidade disso.
Louçã - Quis dar uma estocada no PCP, mas o Sr. Professor acabou estoqueado pelo operário Jerónimo em faena que mereceu alguns aplausos apenas.

Joana Amaral Dias
A corte Soarista
Santana Lopes - espero que para sempre!

Quanto a Sócrates, acho que ganhou, pelo menos sob o ponto de vista interno.Com Soares a carpir mágoas, a sua clique não terá mais remédio que encarneirar a contra gosto atrás do lider.
No que respeita a Alegre, Socrates, desculpando-se com a "Traíção", fará sem dúvida sangue para ser o lider incontestado do PS pelos próximos anos.

Em jeito de despedida, dedico ao Dr. Soares esta música dos Felt, que julgo bastante apropriada ao momento que ele vive - "Dismantled King is off the throne"




Publicado também no "Nova Floresta"

Domingo, Janeiro 22, 2006

O Eleito

Muitos portugueses têm mau perder. Gostam de apostar em vencedores porque gostam de ganhar. A ideia de perder é insuportável, mais ainda num país que é um poço onde se cai, um cu de onde não se sai como dizia João César Monteiro, o inventor do cinema cego.
Quanto mais destacado nas sondagens está um partido ou um candidato presidencial maior é a probabilidade desse partido ou candidato presidencial vir a ganhar eleições.
Muitos portugueses não gostam de ver maus resultados no Domingo à noite, na véspera de mais uma semana de trabalho. Não gostam de arriscar votar em alguém que sabem não ter hipóteses de ganhar. A ideia draconiana de um sorteio eleitoral para a Presidência da República não é tão irrealista como possa parecer à primeira vista. Ou à primeira volta. Só que é um sorteio à portuguesa. Um sorteio com batota, em que se viciam com entusiástica alegria os próprios resultados. A mentalidade do jogo e do sorteio, última esperança para quem quer resolver a sua vida sem esforço, o síndroma Euromilhões é parte integrante da mentalidade autóctone seja na forma de eternos subsídios a fundo perdido seja no preenchimento frenético de boletins de jogo, ou de voto. Tudo menos dispender esforço na procura de soluções para os problemas que importa resolver. Eles, os políticos, são eleitos para isso. Nós, os eleitores incumbimo-los dessa árdua tarefa, dizem. Mesmo que se trate da eleição de uma figura meramente representativa como é o Presidente da República. O único super poder que tem é o de dissolver a A.R. ou demitir o Primeiro Ministro. E mesmo esse super poder, a Bomba Atómica como alguns lhe chamam, longe de ser uma decisão solitária, só tem sido aplicado com sucesso até agora porque tem tido a esmagadora maioria do apoio popular quando é exercido. Apenas uma vez o General Ramalho Eanes se serviu dele sem o apoio incondicional de todas, ou quase todas, as forças políticas em acção na altura e o preço que pagou foi o mais alto: a implosão do Eanismo.
Cavaco sabia isso antes de ganhar as eleições e terá isso em conta agora, mantendo Sócrates à frente das medidas impopulares que ele, enquanto 1º Ministro refém da sua pusilanimidade, jamais conseguiu concretizar.
O retumbante 2º lugar de Manuel Alegre, escandalosamente à frente de todas as sondagens feitas, mostra o receio que muitos têm de, publicamente, criticarem César, ou seja Mário Soares, com medo de virem a sofrer represálias incalculáveis, acabando na arena, pasto das feras.
Soares está definitivamente acabado, apunhalado pelas costas no silêncio das cabines de voto.
Lamentável o destaque dado pelas estações televisivas, em conjunto, às justificações dadas por um Primeiro Ministro pela derrota do candidato do seu partido enquanto o segundo candidato discursava. O timing disso não foi inocente. A República é assim, pequenina e vingativa.
Quanto aos resultados irrisórios dos candidatos do PCP do BE e do MRPP, esses resultados falam por si: Os eleitores mobilizaram-se sim. Mas não por eles.
A grande percentagem de abstencionistas neste acto eleitoral também tem um significado. E, quanto a isso, a República tem razões de sobra para continuar o que começou a fazer ontem: reflectir.

Felicitações

Resolvida a questão do inquilino de Belém, e como nós aqui n'O Eleito nos propusémos a discutir a República até à tomada de posse, amanhã já poderemos discutir as reformas necessárias a este país que de uma forma ou outra todos queremos seja melhor no futuro.

Um grande bem haja e um abraço de felicitações democráticas a todos os que aqui manifestaram o seu apoio a Cavaco Silva.

Os Presidentes


Teófilo Braga (1910-1911)

Manuel Arriaga (1911-1915)

Teófilo Braga (1915)

Bernardino Machado (1915-1917)

Sidónio Pais (1918)

Canto e Castro (1918-1919)

António José de Almeida (1919-1923)

Manuel Teixeira Gomes (1923-1925)

Bernardino Machado (1925-1926)

Mendes Cabeçadas (1926)

Gomes da Costa (1926)

Óscar Carmona (1926-1951)

Craveiro Lopes (1951-1958)

Américo Tomás (1958-1974)

António de Spínola (1974)

Costa Gomes (1974-1976)

Ramalho Eanes (1976-1986)

Mário Soares (1986-1996)

Jorge Sampaio (1996-2006)
Cavaco Silva (2006- ?)

Sangue

Sócrates começa a falar enquanto Alegre discursava.

Marques Mendes

Marques Mendes queria ver se aparecia e se voltava a poder falar com jornalistas mas primeiro Jerónimo e depois a saida de Cavaco voltaram a abafá-lo...

Que Grande Democrata !

- Cavaco Silva para aqui, Cavaco Silva para ali
- Ganhou por pouco
- A direita apoderou-se deste orgão se soberania

Camarada Jerónimo

Como É Que Ele Vai Ser Chamado Agora?

Sua Excelência Sr. Presidente Professor Cavaco Silva ou Sua Excelência Sr. Professor Presidente Cavaco Silva?

A Festa

Compreende-se que Louçã pretenda nesta altura fazer um discurso positivo para chamar à luta todos os que votaram nele ou na esquerda... o que não se compreende é que na sede de Louçã parece que se vão abrir garrafas de Champanhe...

And Now I Know How Joan Of Arc Felt

Mais Uma Vitória Da Democracia

O Bloco está a transformar-se num partido que também nunca perde eleições.

Prémio LATA

Francisco Louçã vem dizer que os resultados são uma penalização ao governo de Sócrates.

Nota Positiva

Nota positiva desta noite... a Ana Gomes não chamou traidor a ninguém...

Match Point [5]

Pergunta às 20:50

É impressão minha ou os resultados oficiais são apurados mais rapidamente ?

Match Point [4]

DERROTADO
VENCEDOR

Fractura

As informações que vêm do STAPE confirmam, apesar das 992 freguesias mais populosas que ainda falta apurar, confirmam a vitória de Cavaco à primeira volta e deixam aberta uma fractura no PS...

Prevê-se para breve o discurso "presidente de todos os portugueses", mas a intervenção mais aguardada da noite será a de Sócrates.

Ana Gomes

Diz que Alegre tem culpa na derrota da esquerda.

Esta sabe menos acordada do que a outra metade do PS a dormir.

Vai Começar

Jorge Coelho

Vem agora dizer que o PS apoiaria Manuel Alegre numa possível segunda volta.

Este sabe mais a dormir que metade do PS acordado.

Match Point [3]

Match Point [2]

Match Point

Cavaco Acusa Nervoso Miudinho




É impressão sua, professor. Ninguém lhe está a chamar macaco. Tenha calma que em breve saberá os resultados.

Votar Em Miragaia

Pois é, Pedro. Apesar da diferença de idades, a nossa experiência não diverge muito. Também andei nessa escola e também passava os intervalos nos montes que por lá ficaram, para nossa felicidade, durante anos. Obras à portuguesa, concerteza. Entretanto, por cá, pelo Porto, por onde faço já metade da minha vida, voto na 3ª Secção da Freguesia de Miragaia, ou seja, na Alfândega Nova. Votar neste edíficio dá um sabor especial ao exercício. Os corredores são infinitos e as salas de proporções cosmológicas. O rio ali perto convida a um último cigarro antes do voto. A coisa ganha gravidade. Contudo, hoje reparei que os corredores estavam vazios...

Memórias

Acabei de votar. A nostalgia do passado bate-me à porta e espreita-me à janela, invariavelmente, nestes dias de eleições. Sempre. Entrar na escola preparatória onde passei dois anos da minha infância, rever cada canto, cada bloco. Já não há «os montes» lá atrás, como lhe chamávamos. Íamos sempre para lá, nos intervalos, lançar «torresmos» uns aos outros. Verdadeiras batalhas campais. Agora, em vez de «os montes», um campo de ténis. Mas o funcionário é o mesmo. Não mudou nada (ou, se mudou, não dei por isso): a mesma falta de cabelo, as mesmas costas semi-curvadas, as mesmas orelhas Topo Gigio, o mesmo olhar perdido, que só recupera a consciência quando há uma tarefa a executar. Depois, verdadeiras relíquias saem do baú. Pessoas que já não via desde a infância. Por onde andarão elas em dias em que não há eleições? No caminho de regresso (fiz questão de ir a pé, este exercício de arqueologia faz-me bem), cruzei-me com uma colega da escola primária. Gostávamos, naquela época, um do outro. Nunca mais falámos, nunca mais nos vimos. Quando olhei para ela, foi tarde demais: já ela passava, perpendicular ao meu ombro. Não nos cumprimentámos. Os cem metros seguintes, caminhei-os com uma certa tristeza por não lhe ter falado. Pode ser que nas próximas eleições a reveja.
Este sentimento estranho acompanhou-me até chegar a casa. Mesmo na hora do voto estive sob este efeito narcótico. Apesar de ter votado alegre. Mas, como disse há pouco, estes alfarrábios da memória, embora um pouco nostálgicos, fazem-me bem.

Afluência Até Às 17h

A poucas horas do fecho das urnas a afluência, ainda agora anunciada, fica apenas pelos 49%. Ora, um número de abstenção tão elevado pode baralhar as contas a todas as candidaturas.

A única verdadeira surpresa desta noite poderia ser a existência de uma segunda volta, que assim pode estar comprometida. No entanto, o raciocínio inverso também é possivel, tendo alguns votantes de Cavaco Silva desmotivado devido às sondagens que lhe davam a vitória à primera.

De qualquer forma perdem todos e especialmente os portugueses que continuam a afastar-se da politica.

Dúvidas Dominicais

Neste Domingo eleitoral tenho apenas algumas dúvidas!

Conseguirá Cavaco a vitória à primeira volta, ou iremos ter de aguentar mais uma seca de campanha?

Conseguirá Alegre colocar Soares no sítio devido?

Qual o grau de acerto da "Sondocracia" nacional?

Publicado também no Nova Floresta.

Aliar O Útil Ao Agradável

A GNR foi chamada a intervir algures na freguesia de Vilares da Vilariça para impedir que ocorresse um almoço de uma batida ao javali no mesmo espaço da secção de voto para as presidenciais.

Sondagem O Eleito

Cerca de duas semanas, foi o tempo que a nossa sondagem esteve on line. Segundo a mesma, temos 2ª volta, o que contraria a esmagadora maioria das sondagens realizadas até ontem. A ver vamos se a nossa é a mais fidedigna.

Votem!

Vote em Si
Vote no Rato Mickey
Vote no Cunhal
Vote em Ramalho Eanes
Vote em D. Duarte
Vote na Manuela
Vote no Vieira
e também na Carmelita

Vote, porque o Branco e a Poltrona da sala não contam mas nulo, conta e só assim pode mais tarde exigir mais e melhor!

Post-Scriptum: Se quiser votar em um dos 6 nomes do boletim, também pode!

Publicado também no "Nova Floresta"

Imprensa (22/01/2006)

A Preguiça

Confesso que sou sempre um potencial abstencionista. Eu faço parte daquela franja dos eleitores que se achar que o candidato que apoia vai ganhar fica em casa.

O 25 de Abril já foi há muito tempo e a história de que antigamente não se podia votar não me seduz nada. Compreendo que quem tem mais de 45 anos se lembre bem e que a memória do passado o empurre para as urnas. Mas para mim, e penso não ser o único, votar é um direito natural. Quando cheguei já cá estava.

Escrevo isto para lembrar que a abstenção não é só descontentes e revoltados. Também lá tem muitos preguiçosos e comodistas.

O Descanso

Depois de 34 viagens, 67 festas, 52 reuniões e 7 conferências.
Depois de 4 entrevistas à televisão, 12 aos jornais, 6 à rádio e 4 debates.
Depois de 100 almoços, 100 jantares e 40 almoços ajantarados onde se incluem 133 febras grelhadas, 56 frangos assados e 86 sandes mistas.
Depois de 236 cafés, 476 sumos de laranja e 32 litros de águas com gás.
Depois de 54 pastilhas de Kompensan, 23 comprimidos de Nimed e 37 gotinhas de Cholagutt.
Depois de beijar 365 criancinhas, 256 velhinhos, 96 peixeiras e 58 vendedoras de fruta.
Depois de apertar a mão a 821 homens e 767 senhoras, abraçar 245 entusiastas e levar um estalo de 1 veterano.
Depois de fazer 2.458 vezes o sinal de OK, 5.699 o sinal de adeus e por 1.685 vezes juntar as duas mãos no ar.
Depois de mandar um SOS.
Depois de quase deslocar o maxilar.
Depois de dizer “Olá, Como está ?” 12.659 vezes, fazer 34.856 mini-conversas de treta e ouvir 63.845 desgraças.
Depois de ter que ir pedir dinheiro ao banco, aos interesses ocultos, aos capitalistas e ao partido.
Depois de ter que aturar 89 desportistas, 165 sindicalistas, 46 empresários, 236 operários, 1.875 pessoas da cultura e o Alberto João.

Depois disto tudo, qualquer pessoa precisa, e merece, um dia de descanso. O absurdo é o nome que lhe dão. Deveria chamar-se Dia de Descanso do Candidato. Seria a verdade e todas as pessoas compreenderiam.

Mas depois da campanha, “instruir” os eleitores a sentarem-se e a pensarem em quem vão votar é de um paternalismo patético que só não é insuportável porque verdadeiramente ninguém se importa. Hoje até deu futebol na televisão e tudo …

Sábado, Janeiro 21, 2006

Reflexão

Hoje, por imposição legal, o Pais tem de reflectir, antes de ir às urnas amanhã. Mas neste acto eleitoral, que há para reflectir?
Pouco ou nada!
Os candidatos poucas ideias apresentaram ao país, e estas, são já antigas. Tão antigas que até lhes chamamos “ideias feitas”, objecto de inúmeras “reflexões” em eleições passadas.

Por minha parte, e em jeito de balanço, apenas registo nesta campanha, um único facto. Melhor dizendo, um único “exemplo” – Manuel Alegre.

O Poeta, que nos 30 anos que levamos de Democracia, sempre se ocupou um lugar terciário na sombra política, era em meados do ano transacto, o candidato oficioso do PS, muito por culpa dos inúmeros passos atrás, dados por outras figuras do Universo Socialista. Mas num Golpe de teatro Mário Soares sai das prateleiras da história, dá o dito por não dito e apresenta a sua candidatura, com candidato do PS, ignorando completamente o seu amigo e antigo companheiro de lutas de há mais de 40 anos.
Para Alegre isto foi pior que uma facada nas costas. Aqueles que até então lhe davam abraços e palmadinhas nas costas, viraram-lhe a cara, ameaçaram-no publicamente num dos mais abjectos actos de politiquice nojenta.
Nesse momento, Alegre parecia o Portugal de hoje, triste, só, abandonado por aqueles que julgava por amigos. Num jantar em Viseu, Alegre chegou a anunciar a sua capitulação, tal era o poço profundo de lisas paredes para onde os seus “amigos” o haviam atirado.
Mas essa capitulação nunca chegou! Contra tudo e contra todos, Alegre investiu, e foi à luta, sem meios, sem apoios, sem benesses, usando apenas a sua voz, qual David contra Golias Soares.

Sinceramente pouco me importa o resultado de amanhã. Alegre é o vencedor. Onde ontem existia uma penumbra onde se ocultava um poeta algo cinzento e ultrapassado, aparece hoje um líder político, muito mais respeitado que os seus pares e não tenho dúvidas que num futuro próximo iremos ouvir a sua voz, e garanto que não será a declamar poemas.

Acima, afirmei que a candidatura de Manuel Alegre, mais que ser um facto, era um “Exemplo”. É um exemplo, porque nos das que correm, Portugal está numa situação similar àquela em que Alegre esteve. Para Portugal sair deste marasmo, não tem outra alternativa que “ir-à-luta”. Pena é que destas eleições não saia “O eleito”, que leve Portugal ao combate. Resta-nos então contemplar as lisas paredes deste poço onde estamos ainda a cair.

Publicado também no “Nova Floresta

Imprensa (21/01/2006)

Lei Da Reflexão

A luz ou qualquer outra onda, ao incidir numa superfície polida, segue a chamada Lei da Reflexão, que nos diz que o ângulo no qual o raio de luz atinge a superfície é o mesmo que será reflectido. Isto confirma as minhas piores suspeitas: qualquer reflexão hoje feita pelos portugueses é inútil - o ângulo pelo qual incidimos as nossas preferências nos últimos tempos é o mesmo que será reflectido amanhã.

Suspense

Vamos lá ver se amanhã o filho de Mário Soares não vai apelar ao voto no pai.

A maior de todas elas é o dia de hoje. O célebre "Dia da Reflexão". O legislador presumiu organização e método no raciocínio do eleitor e marcou dia e hora para o pensamento. Esta idiotice tem desencadeado outras. A mais célebre de todas é a rábula de o Expresso sair ao sábado com data de sexta.

Nestas eleições, porém, acresce ainda outra idiotice. Os votos brancos não contam. Mas os nulos contam. Vejamos: se um cidadão quer votar, mas não o quer fazer em nenhum candidato, não pode votar em branco para contar na estatística das percentagens eleitorais. Mas se, num vaipe de vernáculo clandestino deasatar a insultar os candidatos, a fazer redações de calão ou umsimulacro de artes plásticas no rectângulozito, já conta.

Chiu!


O povo está a reflectir...

A Teoria

Há uns anos atrás, circulava por este país a seguinte teoria, directamente saída das fileiras socialistas :

Uma das razões para a animosidade entre Mário Soares e Cavaco Silva, além da cimeira das rosas, foi o facto de, em 1986, Cavaco Silva não ter apresentado a sua demissão ao recém-eleito Presidente da República Mário Soares. Diziam os seus teóricos que, considerando que é o Presidente quem dá posse ao Primeiro-Ministro e que este está hierarquicamente no degrau inferior, Cavaco Silva deveria ter posto o seu lugar à disposição de Mário Soares. A demissão não seria obviamente aceite, mas ficaria registada a submissão do Primeiro-Ministro ao Presidente da República.

Ao não o fazer, Cavaco Silva como que estaria a dizer a Mário Soares que quem lhe tinha dado posse tinha sido o povo português e não ele, como de resto a Constituição estipula. E que isso tinha sido justo motivo para Mário Soares se sentir afrontado.

Passaram vinte anos, e agora o Primeiro-Ministro que vai assistir à chegada do novo Presidente é socialista.

Enfim, nada como um bom velho provérbio português : Há mais marés que marinheiros.

Elogios Fúnebres

Manuel Alegre
O último tempo de antena de Manuel Alegre na televisão (e talvez na rádio, não sei) foi bastante simples mas também bastante bonito.
Perante um discorrer de imagens idílicas de Portugal, a voz de Alegre a declamar a Trova do Vento que Passa. Um grande poema e uma grande voz.
Apesar de não ter percebido o que é aquilo tinha a ver com a eleição presidencial, foi, repito, um momento televisivo bastante bonito.

Mário Soares
Eu pessoalmente não era capaz de aguentar o esforço físico destas últimas semanas. (E não estou a brincar.)
E apesar de não ser uma propriamente uma virtude, (pois caso contrário não se candidataria), há que reconhecer que para um homem de 81 anos é bastante desgastante. A prova foi a rábula do CDS/Partido Popular Europeu. Aquilo foi um momento de completo desgaste físico e mental.
Por isso, ainda bem que não vai ganhar. Só para ele recuperar do esforço, iríamos ficar sem Presidente durante três meses.

Jerónimo de Sousa
Apesar das ideias retrógradas, penso que é a confirmação da pessoa. Muito melhor que o “cassete” Carvalhas e o “nosso povo, nosso povo” Cunhal.
Digamos assim : Já tenho dúvidas se realmente os comunistas comem criancinhas ao pequeno-almoço.

Francisco Louçã
Um político que a cada eleição que passa consegue esconder que se chama também Anacleto… merece o nosso elogio.

Garcia Pereira
Parece que ganhou algum juízo. Sempre contra os porcos capitalistas, é certo, mas sem aquela agressividade que o caracterizava.
Enfim, talvez seja impressão minha. O melhor será esperar pela próxima eleição.

Dinamismo E Dinâmicas

Os rivais do Prof. Cavaco vivem um problema atroz: como transformar uma dinâmica de derrota mitigada, dada pelo decréscimo dos números do camisola amarela nas sondagens da última semana de campanha, numa dinâmica de vitória? Só o poderiam fazer com grande dinamismo e, sabendo disso, desdobraram-se em declarações que são, por vezes, verdadeiros tiros no pé. A última do candidato presidencial do Eng.º Sócrates misturava um duplo conformismo. Disse: «Façam o que fizerem os nossos adversários, temos de andar alegres». Uma dual confissão de fracasso, em que a primeira parte da frase se dirige ao ganhador e a segunda parece uma admissão de derrota face ao concorrente mais próximo. O vencedor que se profetiza, por seu lado, não criou o dinamismo falso de puxar pelas massas. Deixou que estas fossem dínamo por seu risco, mas conta dele. Os jogos estão feitos. E cinco dos candidatos também...

Sexta-feira, Janeiro 20, 2006

Temos Vencedor

No campeonato da contagem de cabeças em recinto fechado...
O vencedor é Jerónimo de Sousa...

Mais Coisa Menos Coisa ...

Professor Cavaco Silva: 53%
Anti-Cavaco : 17%
Candidato Oficial do PS : 15%
PCP : 7,5 %
Bloco de Esquerda : 7 %
Carrefour : 0,5 %

Biranta : 39 %

A Minha Sondagem

Também fiz a minha previsão. Subjectiva, tendenciosa e comprometida. Enfim, como outra sondagem qualquer. Aqui está:

Cavaco: 48%
Alegre: 19%
Soares: 16%
Jerónimo: 8,5%
Louçã: 7,5%
Garcia: 0,5%

Estão abertas as apostas, meus senhores!

A Sofisticação Propagandística

É curioso como as "manchetes" de alguns blogues já estão montadas para inspirar o absurdo dia de reflexão...

Os Sapos Do Professor

1. Este homem é o primeiro perdedor conhecido destas eleições: 1) Se Cavaco perder, o PP tratará de imolar o líder que os conduziu ao desastre; 2) Se Cavaco ganhar, ganha o PSD. O «outro partido» será erradicado da memória da direita portuguesa.
2. O professor não gosta de engolir sapos e não se esquece. Jardim, Santana e PP é muito sapo para um homem só. O espírito de sacrifício do professor ainda lhe permitiu tolerar o primeiro, o segundo deu direito a um esgar de vómito e o terceiro será uma vingança lenta e eficaz. Eu avisei.

Imprensa (20/01/2006)

- Sondagem CM/Aximage: Cavaco 49,8%
- Sondagem DN/TSF: Cavaco 53% e Alegre passa os 20%
- Último dia de campanha é em Lisboa
- Muitos eleitores indecisos
- Incógnita domina período de reflexão

- Entrevista a Botelho Ribeiro
- Garcia Pereira diz que PS é culpado
- Garcia em Caxias
- Louçã faz novo apelo aos socialistas indecisos
- Louçã quer vencer pelas ideias
- Louçã não acredita na vitória de Cavaco
- Jerónimo exige políticas de esquerda
- Jerónimo na Autoeuropa
- Jerónimo: PS está a usar mal a maioria absoluta
- Alegre não dará margem a interesses ilegítimos
- Alegre em Lisboa
- Alegre pede união socialista para a 2ª volta
- Rui Zink com Alegre
- Cavaco diz que pode tornar sonhos em realidade
- Cavaco associa eleição a civismo
- Regresso ao cavaquistão
- Sócrates desculpa-se com a divisão
- Soares cantado ao desafio

Perguntas Presidenciais (7)


Alguém sabe o paradeiro de Marques Mendes e do outro (Ribeiro e Castro)?

Fim De Festa

Chega hoje ao fim a campanha eleitoral e por isso importa fazer um balanço do que nos últimos meses e mais concretamente nas últimas duas semanas aconteceu neste país.

Houve arruadas, debates, dramatização, comícios, jantares, sondagens, insultos mais ou menos velados, silêncios (muitos silêncios) e polémicas quanto baste, mas escassearam as ideias fundamentais para o país e para os portugueses ganharem a confiança perdida.

Aliás a maior parte dos discursos manteve-se na confortável zona da discussão do estilo de intervenção presidencial e do papel na crise que todos pretendem ajudar a resolver, de forma não claramente especificada.

Desenganem-se os portugueses sobre o papel do presidente na recuperação da confiança nacional, pois nenhum aceitará ser uma espécie de embaixador itinerante à procura de investimento estrangeiro por esse mundo fora, ainda que possam viajar com empresários e ministros.

Desenganem-se sobre a intervenção do presidente no papel do governo, seria o pior serviço a Portugal e aos portugueses um Presidente que bloqueasse o trabalho do governo. Os portugueses não iriam entender as razões objectivas de um confronto aberto entre Belém e São Bento e isso apenas iria consubstanciar a nossa depressão actual.

A campanha esgotou-se perante o pensamento exclusivamente económico do professor e a discussão sobre a impossibilidade de o colocar em prática a partir de Belém.

Ficaram para trás inúmeras questões sobre o exemplo que o Presidente deve ser para todos os portugueses e sobre todas as matérias que interessam à manutenção do estado de direito democrático, ao papel de Portugal no mundo, à defesa do património e cultura portuguesa. No fundo todas as questões ligadas à manutenção da identidade nacional que se encontra pelas ruas da amargura.

Independentemente do resultado do próximo domingo, posso garantir que continuarei a dormir descansado. A única coisa que pode manter-me angustiado é pensar por quanto mais tempo vamos permitir que estes políticos durmam descansados….

Aposta que sabes!

Cavaco: 54%

Alegre: 16.5%
Soares: 15.5%
Jerónimo: 8%
Louçã: 5.5%
Garcia: 0.5%

Para a BetandWin posta do Mau Tempo no Canil.
Tiago Alves
Adenda à posta d'O Telescópio: É impressão minha ou aqui n'O Eleito sou agora o único da ala liberal?

Contraditório

Só cheguei ontem e é por isso que só hoje venho usar o direito do contraditório a esta notícia, que fez capa do DE de dia 18:
A abstenção vale 10% dos eleitores: Pode ser verdade. No entanto, não podemos esquecer que a abstenção não existe só nas sondagens mas também no Domingo. E portanto nada nos diz que a abstenção que grassa nas sondagens não seja igual à que figurará nos resultados finais. Pelo contrário. Como diz Pedro Magalhães, esta não é, per si, fonte de erro, embora se deva considerar o problema da abstenção diferencial, que pode beneficiar/prejudicar um ou outro candidato. Não é também mentira, porém, que o estigma do "isto está tudo decidido" afecta muito mais os apoiantes do professor do que os dos restantes candidatos. Assim sendo, é bem provável que da tal abstenção saia um número minimamente proporcional entre os candidatos de reais votantes. E isto na pior das hipóteses para Cavaco.
Maioria dos indecisos está à esquerda: Não concordo em absoluto. Se há espaço ideológico que está bem representado nesta eleição é a esquerda. Temos candidatos para todos os gostos, desde os radicais aos moderados. Pelo contrário, o campo orfão é a Direita, com um único candidato, que até se afirma social democrata (não esquecer que a língua portuguesa é traiçoeira - social democracia é centro-esquerda), e que não tem conseguido, como se vê, entusiasmar muitas direitas, a começar, por exemplo, pelos meninos da Juventude Popular. Não acho que a divisão do PS seja um motivo que suplante este e que os socialistas sejam os tais indecisos. Todos os partidos têm facções. Se há candidatos de duas facções (e candidatos de peso), decerto cobrem de um modo ainda mais abrangente todas as posições.
Só as últimas sondagens reduzem a margem de erro: Está bem, e então? Esta foi um bocadinho rebuscada. Quer isto dizer que devemos esquecer todas as anteriores e centrarmo-nos apenas nesta? Então para que andaram a publicar as outras? Esta não percebi.
Em 2001, Sampaio teve menos 9,5% do que indicavam as sondagens: Tudo bem, mas foram eleições para o segundo mandato (que em Portugal se tem assemelhado a uma consagração), com apenas dois candidatos (o que aumenta a abstenção). Havia a consciência generalizada de que Sampaio estava eleito. A candidatura apoiada pelo PSD foi algo esquisito, até pela escolha do candidato. Muita gente ao telefone terá dito que votava Sampaio para no Domingo ficar em casa, pois estava feito. Não acho que tenha sido uma boa base de comparação. Dia 22 está em causa muito mais do que uma continuação. Está em jogo o rompimento do paradigma.
O melhor que poderia acontecer a Cavaco era aparecerem, nos últimos dias, umas sondagens a dizer que a vitória está em risco. Vai fazer todos correrem para as urnas (incluindo os do está feito e os outros) e votar no segunda quadrado, elegendo, à primeira, o Professor para Presidente. E elas aí estão. Num silogismo à Tiago Mendes, está ganho.

Tiago Alves

Da República Das Palavras À República dos Actos


A primeira coisa a fazer a partir da próxima segunda-feira é começar a lutar a sério pela IV República. Depois de meses de discursos e de torrentes de palavras sobre assuntos que a função não comporta, o Presidente da República a eleger no próximo domingo limitar-se-á, salvo circunstâncias de política patológica a falar, a preocupar-se e a viajar.

O Presidente que chega não poderá fazer mais do que o que fez o Presidente que parte. Nem quer que não seja assim. Cavaco Silva, como todos os outros, tem repetido incessantemente que não defende a mudança dos poderes que se propõe exercer. Louve-se-lhe a sinceridade.
A III República tem pavor a um Presidente com poder. Vive ainda submersa nos fantasmas das ditaduras. Quere-o simbolicamente manietado, palavrosamente inactivo e politicamente irrelevante. Excepto quando o próprio sistema se bloqueia e precisa de alguém que, conveniemntemente, lhe faça soltar a rolha para que tudo possa continuar a funcionar na mesma.

Esta República assombrada é uma República sitiada e inoperante. O Parlamentarismo crescente consome a confiança do povo nas instituições.

Acresce que, como bem observava Marina da Costa Lobo em oportuno mas despercebido artigo recente no Diário de Notícias, a União Europeia veio distorcer e governamentalizar ainda mais o sistema de Governo em Portugal. À medida que o modelo federal da União tem avançado, a tendência constitucional interna para diminuir os poderes das nossas instituições electivas e aumentar os poderes do Governo, tem aumentado.

Meio Portugal pelo menos está convencido que ter, pela primeira vez um Presidente civil que é do PSD e não do PS, consiste numa mudança política de fundo. A verdade é que, no fundo, é uma simples mudança, não política, mas pessoal. Não custa., aliás a crer que, salvo percalços de percurso anormais, Sócrates seja daqui a quatro anos o primeiro apoiante da recandidatura de Cavaco Silva, tal e qual como Cavaco Silva foi em 1991 o primeiro apoiante da recandidatura de Mário Soares.

O resto são pormenores. É minha convicção que Portugal precisa de mudar de sistema. E que para isso tem de perder complexos. Depois de amanhã apenas mudará a pessoa. De acordo com a mais estéril regra do rotativismo.

(publicado na edição de hoje do Semanário)

O Ilusionismo


Como escreveu Vicente Jorge Silva no Diário de Notícias de quarta-feira, o país no domingo prepara-se para plebiscitar uma ilusão. Já ao contrário do que escreveu Vasco Graça Moura no mesmo dia, no mesmo jornal, mas na página ao lado, a vitória de Cavaco Silva nas eleições presidenciais não significa o fim da crise nacional. Pela simples razão de que se tratará nessa eventualidade da vitória de um dos seus mais ilustres autores.

À míngua do pensamento actual, temos de recorrer ao passado para desmontar a ideia de Graça Moura. As auto-estradas foram óptimas. Tanto que os socialistas que antes as criticavam as continuaram a fazer. As privatizações eram certamente necessárias e indispensáveis, mas foram tremendamente mal feitas. Durante anos pagámos a factura das nacionalizações. E hoje pagamos a factura de algumas dessas privatizações. As privatizações estão para o cavaquismo como a descolonização esteve para o gonçalvismo. Uma boa ideia arruinada pelo método.

No mais tudo o cavaquismo engordou. O clientelismo, a partidarite, a despesa pública, o défice do Estado, o peso do Estado na vida dos cidadãos, o depauperamento da soberania nacional (o poder de mandarmos na nossa vida colectiva), a ineficácia e a inoperância do sistema educativo.
O problema é que estes erros em Cavaco Silva são uma ideologia. Hoje o candidato presidencial concorda com tudo o que permitiu ao Primeiro-Ministro executar essa ideologia. A Constituição, o sistema de governo, os poderes presidenciais. No que quer mexer não pode. Onde pode, não quer. A sua vitória não será o fim da crise mas a consagração do seu clímax.

(publicado na edição de hoje do Democracia Liberal)

A Única Dúvida

Alegre ou Soares ?

Quinta-feira, Janeiro 19, 2006

Imprensa (19/01/2006)

Perguntas Presidenciais (6)

A frase desta campanha que jamais esquecerei foi dita por Garcia Pereira e é esta: "Se Freitas do Amaral se tivesse candidatado eu votava nele". Sem comentários. Quer reltivos a um, quer relativos a outro. O que terá mudado nos dois?

Perguntas Presidenciais (5)

O erro na candidatura em Mário Soares será suficiente para esconder a coragem em fazê-lo?

Perguntas Presidenciais (4)

Louçã tem a estrelinha mediática a empalidecer?

Perguntas Presidenciais (3)

Cavaco Silva venceria se houvessem dois candidatos da área do PSD?

Perguntas Presidenciais (2)

Manuel Alegre é um nacionalista de esquerda?

Perguntas Presidenciais (1)

O PCP reduz a força de Jerónimo de Sousa?

Promessas Eleitorais!

(in: “Cinco Reis de Gente”, de Aquilino Ribeiro)
...
- Estas eleições, Amílcar, são, para o partido, um caso de vida ou de morte. Temos de ganhá-las!
- E porque havíamos de as perder? (…)
- Promete-se tudo. Não se diz a ninguém que não, seja o que for – volveu “ele” com acento categórico, molhado de ironia…
- Se algum lapuz quiser ser bispo?
- Se algum clérigo quiser ser bispo – corrigiu “ele”, com um sorriso ameno – promete-se-lhe, até, as púrpuras de cardeal.
- O Pe. Nazaré é um trunfo de respeito. Se o senhor compadre “lhe passar a mão pelo lombo” vira-o para o nosso lado…
- Amen! Por que preço nos venderá o sufrágio?
- Por um prato de lentilhas… e mais alguma coisa…
...

Traduzido para os nossos dias, isto seria uma conversa entre o candidato (ele) e o seu “mandatário local”….
Ter-se-à passado na viragem do século XIX para o século XX, ainda em pleno regime monárquico, lá para as bandas das serranias, acompanhado e vivido pelo autor, quando ainda criança….

Fartei-me de procurar, aqui, alguma diferença em relação à situação actual, mas não acho. Hoje continua esta mesma “pouca vergonha”, despudorada. Vocês podem-me ajudar a encontrar as diferenças?
Hoje há mais sofisticação, mas a porcaria é a mesma e a vigarice também. Estamos todos fartos de tanta pouca vergonha, desde há séculos...

Ou seja: em matéria de “fazer política” nada melhorou. E como o país precisa de evoluir… sobretudo nesta matéria, que é para poder evoluir, também, nas outras matérias.

A Verdade Numa Campanha Eleitoral

Não concordo que a campanha tenha sido pobre de ideias, má ou inútil. Todas as campanhas são assim. O objectivo dos políticos, (seja qual for o cargo a que se candidatam), que pretendem ou esperam ser efectivamente eleitos, é ganhar as eleições. Não é um exercício de cidadania, não é altruísmo cívico, não é para despertar consciências ou propor ideias novas para problemas velhos. É ganhar. Ter mais um voto que o adversário. Nem mais nem menos.

Por isso, o que os candidatos dizem ou fazem, é sempre com um olho na burra e outro nas sondagens. Não podem mentir é certo, mas há muitas maneiras de não dizer a verdade. Porque a verdade custa votos, e quanto maiores os problemas do país, mais terríveis são as verdades e consequentemente maior é o possível prejuízo nas urnas.

Todas as pessoas se queixam dos políticos que à última da hora desatam a fazer inaugurações. Eu também me queixo. Mas eu queixo-me é das pessoas que lhes dão valor por isso. E por isso é que eles desatam à última da hora a fazer inaugurações. No dia em que um candidato for penalizado nas urnas por esse tipo de comportamento, eu garanto que nunca mais vamos assitir a inauguração à pressa.

A verdade é que a verdade numa campanha eleitoral só podia ser possível se as pessoas a quisessem ouvir. Ou melhor, se a conseguissem ouvir. E não conseguem.

Financiamento

1. Nenhuma campanha eleitoral é de graça. Os cartazes, os jantares, os comícios, os tempos de antena, os brindes, as sedes de campanha custam muito, demasiado até. Provavelmente nunca saberemos quanto. Não me refiro apenas aos números que são declarados pelos candidatos, mas também ao custo oculto das campanhas eleitorais. O povo é soberano e é o próprio povo que diz: «Ninguém dá nada a ninguém». Quem financia uma campanha, isto é, quem patrocina uma candidatura é porque tem algo a ganhar com isso. O que até é legítimo. Os empresários, os grupos económicos nacionais e multinacionais fazem parte do ecossistema sócio-político e não me choca que qualquer eleito procure acautelar os interesses dos seus patronos. Tal só demonstra realismo e lealdade. Em todo o caso a última palavra pertence sempre ao cidadão. Pertencerá?
2. Cavaco Silva tem enchido a boca anunciado que a sua campanha não é financiada por partidos mas apenas por particulares. Só não diz quem são esses particulares porque a tal não é obrigado. Soares ainda rosnou qualquer coisa, mas lá se foi embora deixando um lamento de rabo preso: «Só mostro se ele mostrar primeiro». Estamos conversados amigo Soares. Alegre, esse, pediu um empréstimo e também deve ter beneficiado aqui e acolá da boa vontade dos apoiantes, mas se há problema que a candidatura de Alegre tem é a falta de meios e de dinheiro.

3. Já disse que o professor é mau ilusionista e os seus truques não enganam ninguém (nem sequer os que nele vão votar!). Fica-lhe mal soprar mentiras em forma de verdades: é óbvio (e legítimo) que Cavaco tem o apoio do PSD/CDS e que esse apoio não é apenas moral; é óbvio (e legítimo) que a sua campanha é financiada pelos grandes interesses económicos. Mesmo que o Professor se sinta embaraçado com a sua própria natureza, não a deveria ocultar. Jorge Ferreira já nos lembrou aqui que a sede de campanha Cavaco em Lisboa está albergada num edifício que pertence ao Totta/Santander. Acrescento que a sede do Porto situa-se no edifício pertencente à AXA na Avenida dos Aliados, o qual tem servido de poiso ao PSD em várias eleições. Afirmar que se trata de uma candidatura independente é uma «inverdade» (como gostam de dizer os nossos deputados).

4. Deviamos ajudar os futuros candidatos em futuras eleições a não repetirem o erro de Cavaco. A Lei do Financiamento dos Partidos e das Campanhas Eleitorais devia ser alterada no sentido de tornar obrigatória a divulgação na imprensa ou na internet a lista dos financiadores dos candidatos. E tal deveria acontecer de modo a que no primeiro dia de Campanha Eleitoral Oficial nenhuma dúvida subsistisse. Desse modo, os portugueses ao votarem num candidato e/ou partido saberiam que interesses e lobbies estariam a apoiar. Assim mesmo: às claras! Mais uma vez a voz do povo: «Diz-me com quem tu andas e eu digo-te quem tu és.»

5. Estou tão convicto da bondade desta medida que me apetece sugerir uma petição à Assembleia da República...

Quarta-feira, Janeiro 18, 2006

Comentários Semi-Presidencialistas

Em relação a este post de Jorge Ferreira:
1. O Governo não é eleito por sufrágio directo e universal de direito, mas é-o de facto. Quando os eleitores votam nas legislativas, estão convictos de que estão a eleger o Primeiro-Ministro. Relega-se para uma segunda ordem, no plano fáctico, a eleição dos deputados que compõem a Assembleia da República. 2. Fazer com que o Presidente tenha os poderes que cabem ao Executivo não altera para melhor em nada a vida política portuguesa: o que antes fazia o Executivo, passa o Presidente a fazê-lo. 3. Caso o Presidente detenha o poder Executivo, perde-se um poder que faz falta: o poder moderador, arbitral, factor de união nacional. É que, caso tal venha a vingar, o Presidente passa, ipso facto, a ser alvo de contestação social: de desunião. 4. Se há candidatos que prometem mais do que podem dar, é porque são maus candidatos. E não devemos alterar o sistema político para que os maus candidatos, que prometem mais do que podem, deixem de ser maus candidatos: devemos, sim, lutar por ter cada vez melhores candidatos. 5. A fotografia do post do Jorge Ferreira está fantástica.

A Lei De Murphy


Alertado, fui ler e só posso dizer uma coisa: os textos de José Maria Martins, no seu blogue homónimo, confirmam a Lei de Murphy. Se algum texto do dr. Martins puder correr mal, correrá mal. Confirmam também o comentário de O'Toole à Lei de Murphy: Murphy era um optimista. O seu último post - como todos os outros - é prova sumária disso mesmo. Preliminarmente, deparamo-nos com o português maldito do dr. Martins. Depois, surge-se-nos à epifania a justificação do porquê de não se ter, afinal, candidatado à Presidência: tal deveu-se ao facto «de ter tido dois elementos da direcção da minha [sua] candidatura que não tinham o perfil adequado. [...] Quando foram afastados já era tarde.». Ah bom. Então está bem. O dr. Martins está perdoado. É sempre bom que se refiram estas situações, não vão os leitores pensar que a responsabilidade, em última análise, do processo de candidatura do dr. Martins é do próprio dr. Martins. Claro que não. E continua, ameaçando com a criação, juntamente com amigos, de um grupo de reflexão e intervenção política - o MPD [Movimento Para a Democracia], que terá direito a um blogue. Ai ai.
Algumas pérolas encontradas no blogue de José Maria Martins que ficam para a posteridade: «Quo Vadis Portugal? Temos motivos para estar de Luto, carregado. Mas Esta Pátria grande, imensamente grande, nunca morrerá, são os políticos que serão substituídos por outros , nacionalistas, patriótas, homens de Estado, que sintam nas veias o correr do sangue lusitano, a circular livremente e que farão de Portugal um Estado maior, sacudindo a pressão de Espanha. Mais que nunca os portugueses de origem, as famílias portuguesas , que já o eram antes de 1383 e de 1580, serão os arautos e engenheiros da nacionalidade. E não me acusem de chauvinismo ou de ser reaccionário que não sou, mas se ser Português verdadeiro, que ama o solo pátrio, que sabe que Espanha foi , é e será o nosso inimigo, é ser isso , então eu sou. Vivam os Portugueses, viva D. Afonso Henriques, viva D. Nuno Alvares Pereira, viva D. João IV,VIVA PORTUGAL!»

Explicações

José Maria Martins explica por que não é candidato à Presidência da República.

O Voto Vazio

Quando se chama os cidadãos a votar o mínimo que se exige é que o voto tenha consequência. Pedir o voto supõe gerar expectativas. Exige firmar compromissos entre o eleito e o eleitor. É esta a alma da democracia.

Organizar o Estado sob o princípio democrático, segundo o qual os decisores são eleitos por sufrágio directo e universal, impõe que os decisores eleitos tenham a possibilidade elementar de tomar decisões. É a consequência.

Gerar expectativas significa prometer uma determinada acção no exercício de funções. Prometer essa acção significa permitir uma avaliação posterior ao desempenho efectivo do eleito em função do que prometeu e do que fez.

No dia 22 de Janeiro os portugueses são chamados a eleger um Presidente para a República. O que, em princípio, acarreta tudo o que atrás descrevi: consequência, expectativa, promessa, acção e avaliação. Em princípio. No fim, não.

Sucede que o país vive actualmente com um sistema de Governo que resultou da reacção ao derrube do Estado Novo no primeiro impacto (versão originária da Constituição, em 1976) e da vontade, aliás saudável e legítima, de tirar a Ramalho Eanes os poderes suficientes para eliminar a tutela militar da democracia. Isto é, o actual sistema de Governo teve uma razão de ser, uma explicação e correspondeu a uma boa solução na infância da nossa democracia.

À medida que os anos foram passando os Presidentes foram perdendo poder. Eanes, por decisão constitucional. Os outros pela força da política.

Convém lembrar que no tempo de Ramalho Eanes ninguém falava em magistratura de influência do Presidente. Falava-se em poder do Presidente. Apesar de semi-presidencial já nessa altura, o sistema permitia uma intervenção directa do Presidente no Governo, através, por exemplo, dos célebres Governos de iniciativa presidencial.

Depois chegou Mário Soares. Como político instintivo que é, Soares inventou de imediato a célebre “magistratura de influência”. O Presidente já não mandava. Restava-lhe influenciar. E Soares influenciou.

Com Sampaio deixou de se ouvir a expressão. Porque, quase sem se dar por isso, o Presidente deixou de influenciar. Restou-lhe falar. Assim como numa espécie de magistratura da palavra. E Sampaio falou. Para se proclamar recorrentemente preocupado com os problemas da Nação, mas sem lhes poder pôr a mão. Salvo raros momentos de ruptura, é o que resta hoje ao inquilino do Palácio de Belém: preocupar-se.

O que se pergunta hoje é se este sistema continua a ser o melhor para governar Portugal, para resolver os problemas dos cidadãos e para assegurar a subsistência do Estado e do país no futuro. A minha resposta é: “não”.

A situação actual da democracia representativa é original e perigosa. Com efeito o que os cidadãos elegem são os titulares dos dois órgãos de soberania que menos poderes de facto têm e que menos podem decidir e mudar no concreto as opções políticas do país no dia-a-dia. Elegemos os deputados e o Presidente da República. Não elegemos o Governo nem o Primeiro-Ministro. O voto popular tem-se esvaziado de conteúdo e de poder.

A evolução do país foi gerando esta perversão representativa. Para fazer o que o Presidente faz hoje, dispensava-se bem a eleição directa. Por força partidária e mediática a primeiro-ministrização do sistema foi-se impondo ao sistema institucional e constitucional. Por isso meio Portugal ficou frustrado com a nomeação de Santana Lopes para substituir Durão Barroso sem eleições. O sistema habituou o povo a escolher o personagem e o povo não gostou da mudança de elenco na sua peça privativa. A lei permitia-o. A política rejeitava-o. Foi a prova da disfunção em que institucional e alegremente vivemos sem discutir ou querer mudar a causa da disfunção.

E essa disfunção está na estrutura fundamental do sistema de Governo. O presidencialismo resolvê-la-ia. Um Presidente eleito pelos cidadãos a mandar e um Parlamento eleito pelos cidadãos a mandar, fiscalizando, apertada e permanentemente o Presidente. Um dos modelos possíveis é o que está previsto no projecto de Constituição da NovaDemocracia, que é publicado em separata nesta edição da Nova Vaga. Mas não é o único.

Hoje a Presidência da República é vista como uma espécie de coroação de uma carreira política. E quem é eleito, certamente não procura trabalheiras. O país precisa de muito mais que isso.

(publicado na Nova Vaga)
PS (salve seja!) A foto, que parece tirada de propósito para este texto, foi obtida no Chama Oculta)


SOS

Salvem O Soares

Thriller

Tenho a sensação de que os vídeos do Bloco de Esquerda, no «Tempo de Antena», foram concebidos por um realizador que, após ter sido rejeitado no mundo de Hollywood - talvez por ser bom demais, talvez por ser mau demais -, tentou a sorte em Portugal. As cenas, que compõem o thriller, sucedem-se em catadupa imaginativa. Aqui fica um deles para a posteridade.

Terça-feira, Janeiro 17, 2006

Um Litro De Leite E Três Pãezinhos

«Ó Soares, queres ir ali à loja comprar uns rebuçados?» «Quero papá! Fixíssimo!» «Então aproveita e traz-me um litro de leite e três pãezinhos, que depois também comes.» «Está bem, papá!»
«Ó Soares, queres ir ali aos Estaleiros Navais de Viana do Castelo ganhar uns votos?» «Quero Executivo! Fixíssimo!» «Então aproveita e diz lá à malta que a empresa não será privatizada.» «Está bem, Executivo!»

Imprensa (17/01/2006)

- Cavaco mantém tendência de descida
- Financiamento estatal para a campanha: 50,4 milhões de euros
- Imigrantes brasileiros pouco interessados

- Garcia e o grau zero
- Garcia com livros
- Um fato para Louçã
- Louçã contra a privatização da REN
- Louçã surpreendido por confusão
- Louçã contesta privatização da energia
- PCP/Paris acusa governo de não querer que emigrantes votem
- Jerónimo na escola
- Jerónimo acusa governo de golpe contra funcionários
- Jerónimo fala em 2ª volta
- Jerónimo: não preciso de aprender nos livros
- Jerónimo: Cavaco é raposa no galinheiro
- Alegre vigia votos à lupa
- Alegre em Aveiro
- Alegre diz que Soares foi porta-voz do governo
- Alegre para todos
- Alegre em Matosinhos
- Alegre diz ser quem tem mais hipóteses
- Alegre pelo distrito de Aveiro
- Cavaco perdoa críticas ao PS
- Cavaco vai esquecer afirmações
- Cavaco garante sempre alerta
- Ataques são obrigações do ofício
- Cavaco ao serviço de todos
- Cavaco não quer ser acusado de intromissões
- CDS sai em defesa do seu candidato
- Soares em Viseu
- Soares garante que estaleiros não vão ser privatizados
- Soares nunca recusou um debate
- Soares: sou o mais experiente
- Soares salvo pelos bombos
- Sócrates em Viana
- Soares e o regresso ao mar
- Onde estava Cavaco na oposição ao fascismo?

A Minha Interpretação

Nestas alturas de decisão importa sempre fazer um enunciado de princípios do perfil que se pretende que um candidato tenha, independentemente do que posteriormente se venha a considerar da aplicabilidade destes princípios ao eleito ou ao aqui proposto.

Para cada um de nós, o festival das campanhas pode ou não fazer sentido, podemos ou não rever-nos nos temas que se desfiam nos jantares comício ou nas arruadas, podemos ter ou não expectativas fundadas sobre os silêncios ou o ruído que se produz, mas não podemos em consciência votar em fulano ou sicrano sem que isso represente uma adesão subjectiva a uma cartilha de princípios que defendemos e que de alguma forma conseguimos identificar nos candidatos.

O que eu procuro num Presidente da República é acima de tudo alguém cuja experiência política relevante me deixe tranquilo quanto à interpretação dos poderes presidenciais que eu tenho.

Não embarco em "golpes constitucionais" ou na ideia destas serem "as mais importantes eleições desde o 25 de Abril" e só posso imaginar que estas opostas e extremadas ideias representam um total divórcio do sentir dos portugueses em relação à política e concretamente em relação à presidência.

O que pretendo ver reflectido num Presidente, é a garantia de que a democracia e as suas instituições estão salvaguardadas para lá da simples luta partidária e a sua intervenção sempre que necessária para repor o quadro constitucional normal e o princípio da legalidade da administração.

Pretendo um Presidente que conheça, defenda e alerte o Governo, os tribunais e a sociedade em geral para os Direitos, Liberdades e Garantias constitucionais dos cidadãos portugueses mas também daqueles que ao abrigo da lei escolheram o nosso país para viver.

Pretendo um Presidente que defenda e garanta os Direitos Sociais e Económicos do povo português numa estrita subordinação do poder económico ao poder politico, não para o limitar, mas para fazer com que este faça cumprir o projecto de uma sociedade livre, socialmente justa e solidária onde a discriminação não tenha lugar.

Um presidente que defenda uma visão do mundo assente numa cultura de paz e de respeito pelo direito internacional, e que possa representar Portugal e a língua portuguesa de forma convicta não cedendo a qualquer subalternidade geo-política, junto dos povos que falam a mesma língua mas também junto das Nações Unidas.

Não pretendo, nem me iria rever num Presidente em oposição permanente às instituições que deve salvaguardar e garantir, por simples razões de estilo ou questões politicas avulsas.

Muito embora estes meus princípios possam ser vistos como demasiado pretensiosos… são estes os princípios pelos quais avalio a prestação dos actuais candidatos e é por esta bitola que lhes irei dar o meu voto, ou não.

Eles Já Interiorizaram

O ministro da Ota, ex-PCP, do Governo do PS, Mário Lino, chamou ontem num comício de Mário Soares, "Presidente" a Cavaco Silva.

Que Fazer?

Perguntou um dia Lenine, sabendo de antemão a resposta. E agora, pergunto eu: perante 6-candidatos-6 de todas as gamas da esquerda à semi-Presidência da República (o sistema é o semipresidencialismo) como deve votar um gajo de direita?

Cavacarias

Cavaco Silva recusa ser entrevistado ou participar em debates na rádio (ainda por cima com desculpas de mau pagador!) - como eu não tenho tv, para mim este candidato não existe. Mas no Mundo Plano solicitam adendas de cavacarias a quem conheça esse senhor.
Manuela Pires da Fonseca (BSP)

Segunda-feira, Janeiro 16, 2006

Desilusão Presidencial

Se a candidatura da esquerda moderada fosse realmente ousada teria usado o Grândola Vila Morena cantada por Katia Guerreiro, como hino de campanha.

Quando O Telefone Toca


Lembram-se co célebre e popular programa de Matos Maia, no Rádio Clube Português? Pois bem: se o Programa hoje ainda existisse, digam lá que, com a moda de bloguizar o hino da candidatura do Prof. Cavaco, isto não seria possível:

Matos Maia: Olá, boa noite!
Ouvinte: 'Tá lá?
Matos Maia: Estou sim.
Ouvinte: É de Quando o Telefone Toca?
Matos Maia: É sim!
Ouvinte: Boa noite, Sr. Matos Maia. Posso dizer a frase?
Matos Maia: Pode sim.
Ouvinte: "Para ouvir o hino, elege Cavaco à primeira".
Matos Maia: Muito bem! E o que quer ouvir?
Ouvinte: Pode ser o hino Portugal Maior, por Katia Guerreiro!

Os Ajudantes De Cavaco

O prémio de hoje vai para Augusto Santos Silva, para as magníficas declarações sobre o golpe de Estado se Cavaco Silva ganhar as eleições. Afinal, Cavaco tem bons amigos no PS.

Democracia eleitoral

Foi agora mesmo, na TSF. Uma popular mais inflamada repetindo para Manuel Alegre:

- O meu voto é seu, o meu voto é seu, não é do gordo.

A repórter, por perto, interroga-a:

- Porque é que diz que vai votar nele?

Resposta da popular:

- Porque gosto do senhor, gosto muito dele e porque o Mário Soares já mamou muito.

Mobilização Geral

O Professor Cavaco continua fiel a si próprio. Enquanto Primeiro-Ministro sempre defendeu que era fundamental um clima de confiança na política e na economia que estimulasse psicologicamente os empresários ao investimento. Agora alarga essa necessidade de confiar à generalidade da Nação, pedindo que cada um se possa nela investir a si. Passou por conseguinte, de uma mobilização parcial à mais total que se consiga imaginar, neste contexto. A consagração barcelense de ontem decorreu com a iluminação que lhe acentuava as marcas do rosto, de modo a fazer passar a mais eficaz das mensagens de propaganda, a de que não a faz, podendo, inclusivé, prescindir dos truques de maquilhagem e de luz que os outros não dispensam, ao tentarem cativar/enganar os eleitores. A ligação entre estas duas linhas de força da campanha encontrou o seu instrumento privilegiado na evocação da «última oportunidade» nos próximos dez anos de, por escolha, o País, com sulcos mais graves do que os do candidato, ascender aos níveis de segurança e positividade que ele evidencia. Estamos perante a dramatização que colhe. Os outros, falando de perigos para o regime, ou para os trabalhadores, agitaram fantasmas em que ninguém crê. Deveriam ter aprendido com o provável vencedor como desfraldar uma bandeira que colasse.

Domingo, Janeiro 15, 2006

Porquê Não Voto Garcia.

Neste post tentei explicar um pouco mais as minhas razões para não votar Jerónimo; e linkei os postes onde expressava as razões para não votar nos outros candidatos do G5 (Cavaco, Soares, Alegre e Louçã).
Também afirmei que, relativamente a alguns dos actuais problemas mais graves da nossa sociedade, o candidato que reúne um maior número de posições que merecem a minha concordância é o Prof. António Garcia Pereira. Como todos conhecem a minha opção abstencionista, prometi “revelar” os meus motivos para NÃO VOTAR GARCIA. Aqui estou a cumprir a promessa (no fim dum dia – de folga - chuvoso, daqueles em que apetece nada fazer…). Sim porque se eu achasse que se justificava, não teria qualquer problema em Votar Garcia e apoiar Garcia, mesmo continuando a clamar pela valoração da abstenção…
Há três assuntos relativamente aos quais estou inteiramente de acordo com as posições de Garcia Pereira. Três assuntos relativamente aos quais (pelo menos a algum deles) os outros candidatos têm posições com que não concordo, ou, no mínimo, ambíguas.
São eles:

(1) A natureza dos magnos problemas da justiça e as responsabilidades dos respectivos “protagonistas”; os motivos concretos que nos conduziram até ao actual descalabro. O papel do processo Casa Pia e as responsabilidades do PGR (que já devia ter sido demitido há muito). A conclusão de que o "Estado de Direito" bateu no fundo.

(2) O tipo de opções políticas que nos podem permitir sair da crise e resolver os nossos problemas, garantir a sustentabilidade da segurança social, resolver os problemas do défice e das finanças públicas, etc.:
- não agravar as condições sociais, reduzindo vencimentos e pensões, nem agravar a carga fiscal, para colher impostos destinados a sustentar mordomias absurdas do políticos e quejandos, mas sim criar riqueza e emprego; organizar a economia; promover a produtividade nacional, implementar competência e rigor na gestão, e criar condições que garantam o ESCOAMENTO dos produtos portugueses.

(3) Atitudes que devem ser tomadas pelo Presidente em relação aos desmandos da governação, nomeadamente no que diz respeito às mentiras eleitorais do Primeiro Ministro e respectiva responsabilização. Neste particular, Garcia Pereira é o único candidato que tem uma posição digna e idónea; consentânea com o cargo a que se candidata.

E, perguntarão vocês: com tantos pontos de concordância, porquê não votar GARCIA?
Por dois motivos de monta:
(1) Porque há discordância em questões essenciais.
(2) Porque, se o voto é meu (e é) eu dou-o a quem entender que o merece POR INTEIRO, a quem reúna TODAS as minhas condições essenciais e não apenas algumas. Não voltarei a votar (no mal menor), desprezo o voto útil, e também não voltarei a votar “para expressar opinião”, ou em quem se candidata “para marcar posição”. Até porque eu não preciso doutros para expressar as minhas opiniões…

As questões de fundo que me separam de GARCIA começam na sua própria candidatura.
Eu não concordo com a apresentação de candidaturas partidárias, à Presidência da República. Acho que um candidato partidário não tem condições para ser “o Presidente de TODOS os portugueses”. Além disso, não voto em candidatos que sabem (e até o assumem) que não têm hipóteses de ganhar ou, de algum modo, influenciar o resultado da eleição. (Assim como só me candidataria para ganhar. Isto é para esclarecer uma discussão, lá de trás, com o Pedro, quando sugeriu que “podem sempre candidatar-se”).
Além de discordar da candidatura, em tais condições, também ouvi duas entrevistas do Prof. Garcia Pereira (aliás de grande qualidade e excelente conteúdo quando falou das questões enumeradas acima, que merecem o meu apoio), uma na TSF e outra no canal 1 da RTP, onde o candidato se referiu ao actual governo como tendo “maioria absoluta”. Um governo eleito com 29,3% dos votos dos eleitores, como este de Sócrates, não tem maioria absoluta... nem relativa.
Afirmar ou admitir isso, é desprezar, ignorar, os abstencionistas e os seus direitos de cidadania e eu acho que não posso nem devo ter consideração por quem a não tem por uma tão grande percentagem dos seus concidadãos.
Portanto, o Prof. Garcia Pereira inclui-se no grupo daqueles que não se podem queixar de ser ignorados pelos “maiores”, visto que ele também ignora uma tão grande quantidade de gente. Acredito que seja “defeito” dos partidos, mas isso só me faz estar contra os partidos, que não conseguem ser civilizados, ocupar o lugar que lhes compete e não “ocuparem”, se apropriarem, de espaço alheio.
Os partidos já começaram, há muito e por opção própria, a ser mais prejudiciais, à sociedade, do que úteis. Isso vai ser terrível, sobretudo para os próprios partidos...

Todavia, há questões mais profundas que me fazem Não votar GARCIA.
Destas a principal é não conseguir perceber, do que diz o candidato, (tal como acontece com todos os outros candidatos) a ideia que faz das medidas concretas, dos procedimentos objectivos que são necessários e que podem ser “impulsionados” pelo Presidente, para resolver os nossos magnos problemas. Como eu tenho ideias claras e objectivas acerca disso, procuro, em tudo o que os candidatos dizem, alguma pista que me permita perceber o que há de concreto nos seus discursos. Não há NADA! Acho que, se algum deles tivesse ideias claras e concretas, nesta matéria, eu perceberia…
No entanto, para além de os candidatos deverem “ter ideias claras e concretas” acerca do que é necessário fazer, de quais as medidas, também é necessário reunir as condições essenciais que permitam a concretização dessas medidas. Uma dessas condições, insubstituível, imprescindível, é o apoio da maioria da população; que é como quem diz, o reconhecimento, por parte da população, de que o candidato é um líder e de que as “ideias” são boas, são as adequadas…
Se o Presidente exige (do governo e das restantes instituições) cumprimento de promessas e “medidas”, ou implementação de “políticas”, mas não sabe “quais” as medidas concretas, nem “como”, e/ou se não tem apoio suficiente para enfrentar interesses instalados, facilmente pode ser torpedeado e/ou boicotado, ficando o país sem saídas e refém “das forças de bloqueio”.
É essa, aliás, a chantagem constante dessas mesmas “forças de bloqueio”, quando falam e insistem, sem cessar, na “estabilidade” que, como se vê, não é estabilidade nenhuma, nem para lá caminha.
Daí eu achar que só é possível mobilizar os cidadãos para o voto e para as mudanças necessárias e imprescindíveis, se eles perceberem a existência destas condições que enumero…
Estas condições são, sempre, importante. Mas são imprescindível, nas nossas condições, para sair da fossa. Doutro modo não é possível.
Aqui reside uma divergência de fundo entre mim e este candidato e é por isto que eu acho absurda e “ingénua” a sua tentativa de promover a candidatura de Freitas do Amaral. Este é um dos políticos portugueses que me merece maior consideração, por evidenciar honestidade e idoneidade nas suas posições; mas nem por isso eu acho que seja o candidato a presidente que possa reunir as condições essenciais, quer quanto à capacidade de fazer TUDO o que é necessário fazer, quer quanto à mobilização e apoio dos cidadãos. Portanto, seria, igualmente, uma candidatura de continuidade, que não permitiria resolver coisa algumma, como acontece com todas as existentes…
O Prof. Garcia (e os outros) deviam perceber que o espaço político se esgotou, está completamente desacreditado, e que é necessário “renovar” e até talvez “procurar” noutros quadrantes. Por isso eu acho que os candidatos deveriam ser apartidários… E defendo uma maior liberdade de expressão, para que possam “aparecer” os líderes, as “referências” que nos faltam e existem, na sociedade…

É por tudo isto que eu acho tão importante defender e lutar pela valoração da abstenção, como forma de criar as condições (de responsabilização) que permitam vir a resolver, de facto, os nossos problemas. Não darei o meu voto a qualquer político que não assuma, como condição básica, esta questão, por inteiro e com todas as consequências. Todos os que “nos” ignorarem serão ignorados…
Em conclusão, como o voto é meu e tenho o direito de só o dar a quem o mereça, por inteiro, não voto, porque me recuso a participar em palhaçadas, a sancionar uma qualquer solução de “mais e pior do mesmo”, a contribuir para prolongar os nossos desesperos e angústias, porque nenhum dos candidatos vai contribuir para mudar o essencial, para resolver o que quer que seja.
A esmagadora maioria dos eleitores sabe disto e vota no que considera “o mal menor”, com plena consciência deste facto (amplamente reconhecido por todos), mas vota, na mesma, porque não percebe o caminho a seguir para encontrar a saída, as soluções…
Nesse contexto, tenho de confessar que o que eu realmente queria era que todos os que têm esta consciência não votassem… porque assim estaríamos mais perto da resolução dos nossos problemas… Embora sabendo que o que eu queria não vai fazer a menor diferença… sendo a abstenção da exclusiva responsabilidade dos candidatos, de todos os candidatos…
Talvez sobretudo dos que concorrem para não ganhar, porque interiorizam e “impõem” aos seus apoiantes a sua total e absoluta “insignificância”. Com tanta gente descontente, e que está contra, é um “pecado” impor a alguém a sua própria insignificância. Nestas coisas a gente tem a importância que quiser (que for capaz de conquistar) sobretudo se souber “estar com” todos os que pensam e sentem o mesmo.
Por isso eu não compreendo que estes candidatos optem por ficar ao lado dos restantes partidos, sancionando os seus crimes, participando e colaborando na palhaçada, ao invés de estarem com a população mais indignada e inconformada, com a maioria.
Será que consegui me explicar convenientemente?

O Momento De Ouro De Cavaco

A forma como Cavaco Silva abriu a boca, perante os órgãos de comunicação social, expressando, facialmente, um “não faço a menor ideia” foi ridícula?
Pode ter sido, mas para um candidato cuja imagem de força consiste na nulidade discursiva, foi um momento de ouro. Não lhe roubará um único voto. Os indecisos esperavam por este vislumbre de humanidade. Aquilo é que foi expressividade! Cavaco é bom a calar, e é melhor, ainda, a exprimir o vazio sobre o vazio.

O silêncio estratégico de Cavaco Silva em campanha eleitoral, embora inédito em democracia, tem-se revelado bastante frutuoso. O seu discurso consiste na recusa do discurso. Na ausência de comentário. Todos os assuntos são, para Cavaco, excessivamente graves e delicados para merecer abordagem, pelo que não se pronuncia, não se compromete. Não quer ser indelicado. Acha inapropriado, descontextualizado. Encolhe os ombros e não dá... cavaco. Exactamente isto: Cavaco não se dá, tal como nunca se deu. Conheço bem esta estratégia tão portuguesa: fala com todos, não confies em ninguém, não provoques seja quem for, não emitas opinião; sorri sempre, mas nunca demais.
Conheço bem esta estratégia: a intolerância, a prepotência – tanto à direita como à esquerda – nunca dá explicações. Omite-se. A ditadura têm horror a explicações e teme a palavra acima de tudo. Mas alguém não sabe isto?! Alguém não conhece Cavaco?! Quem não sabe o que foi Cavaco?! Quando Guterres conquistou a maioria ao PSD com a "paixão da educação", não prometia que as relações governo/comunicação seriam mais abertas a partir daí?! Como se contextualiza uma promessa deste tipo, tenha ou não vindo a ser cumprida?!
Sabemos todos, perfeitamente, quem foi Cavaco, ou melhor, o que calou, agindo através da força policial contra a qual sabia reagir com o mesmo poder.
Como é possível que o candidato em silêncio, um independente de fachada, seja, neste momento, o melhor colocado? Que País é este onde quem se isenta, quem recusa o confronto, é quem ganha a corrida?
O nulo, o que se comporta melhor por, simplesmente, não se ter chegado a comportar, é esse que, no próximo dia 22 vai ser legitimado para nos representar?
Eu tenho estaleca para ver de tudo, mas, porra, que não veja calada!



Sou inocente e não faço a menor ideia!

As Coisas Que As Presidenciais Me Fazem Lembrar


Jerónimo o Gerónimo, Jefe de la tribu apache chiricahua

Nació en Clifton (Arizona, Estados Unidos). Su esposa, sus hijos y su madre fueron asesinados en 1858. Desde entonces Jerónimo atacó a mexicanos y colonos estadounidenses. En 1876, se intentó trasladar a los chiricahua a San Carlos (Nuevo México); entonces inició un periodo de diez años de escaramuzas contra las colonias de los blancos, alternando con periodos de paz en la reserva de San Carlos. En marzo de 1886, el general George Crook lo captura y le obliga a firmar un tratado por el cual los chiricahua serían trasladados a Florida; dos días después, escapa y prosigue con sus ataques. El general Nelson Miles se ocupó entonces en la persecución que se inició en México y acabó con su captura en el mes de septiembre. Fueron enviados a Florida (Alabama) y finalmente al Fuerte Sill, en Territorio de Oklahoma, donde se establecieron como granjeros, y donde Jerónimo se convirtió al cristianismo. Tomó parte en el desfile inaugural del presidente Theodore Roosevelt, en 1905. Falleció en Fuerte Sill, el 17 de febrero de 1909.

Bem Visto

A pergunta que falta nos inquéritos aos candidatos presidenciais. Descobriu-a o Marco, no seu Povo de Bahá.

Imagens A Cores E Toques Polifónicos

Sábado, Janeiro 14, 2006

Das Frases Às Ideias (3)

"Não estou a falar contra os jornalistas, mas é uma evidência que não tem havido imparcialidade nas televisões, nos jornais e nas rádios", Mário Soares num jantar-comício em Coimbra. Então está a falar contra quem?

Candeia Que Vai À Frente...

Os candidatos não são tão iguais como parecem. De tanto se queixar da célebre fotografia do «EXPRESSO», o terceiro colocado na maior parte das sondagens lá conseguiu que fosse propagada uma fotografia do frontrunner com olhos esbugalhados e boca aberta. A diferença é que, do alto da sua liderança, este não precisou de lamentá-lo...
E o drama do mesmo underdog exprimiu-se no dilema de ter de continuar a falar mal do adversário, sem que lhe conviesse propagandeá-lo, para o que recorreu ao tom brincalhão, dizendo não se lembrar do nome do concorrente. Só que, com a pouca caridade que os portugueses têm para com a idade avançada, pode bem ser tomado à letra e sair prejudicado. Em qualquer caso, um candidato não pode prescindir de momear os opositores, falando deles. Eu posso fazer isso a cada um; mas permitiu Deus, na Sua Imensa Bondade, que não seja partícipe, ou adepto sequer, de eleições do género!

Das Frases Às Ideias (2)

"O que está a acontecer aqui na Póvoa de Varzim é a prova clara que é o povo quem mais ordena. É o povo que está na rua", Cavaco Silva. Insiste o Professor em subtrair votos a Francisco, Jerónimo, Manuel e Mário. Se houvesse candidato de direita o vocabulário do Professor seria bem diferente. Para desespero dos donos das palavras.

Das Frases Às Ideias (1)

"O dr. Francisco Louçã está a fazer ataques pessoais pouco compatíveis com a ética da esquerda. Ele ataca muito o dr. Cavaco Silva, mas às vezes parece o dr. Cavaco Silva do avesso", Manuel Alegre.

E eu que pensava que a ética, ao menos ela, coitada, resistia à célebre dicotomia. E a não ser assim, poderá o candidato Manuel Alegre esclarecer-me qual a diferença entre a ética de esquerda e a ética de direita? Será a diferença entre Pina Moura e Pina Moura?

«Corpo De Trotsky» «Amen» «Corpo De Trotsky» «Amen» «Corpo De Trotsky» «Amen» «Ide Em Paz, E Que Trotsky Vos Acompanhe» «Amen»

«Tem a mania de dar lições de moral à esquerda e a toda a gente. Eu não quero ser director espiritual de ninguém, mas também não aceito a direcção moral do dr. Louçã, que parece que errou a vocação.»
[Manuel Alegre, referindo-se a Francisco Louçã]

O Presidente Médico

Já tínhamos várias modalidades de Presidente. Moderador, árbitro, minimalista, maximalista, interventor. Agora temos o Presidente médico. Diz Crespo de Carvalho em artigo de opinião no Expresso de hoje (link indisponível por razões idênticas às do Público) que "um Presidente deve ter uma aptidão para auscultação e interpretação da visão da sociedade civil".

Belém E Vinhos

Cavaco Silva afirmou ao Público (suplemento Fugas, de hoje, com o respectivo link obviamente indisponível), que não bebe vinhos, mas que os vinhos portugueses são os melhores. Se não bebe como é que sabe?

O PR E A UE

"O que é que a europeização das políticas públicas tem a ver com a eleição presidencial? Ao contrário do que se possa pensar, a europeização não reduz o poder de todas as instituições políticas nacionais por igual. É o Governo que tem sido o grande beneficiado por estas mudanças. O Governo é beneficiado porque os seus membros integram as reuniões de Conselho de Ministros em Bruxelas, instituição que detém grande parte do poder legislativo a nível europeu e que delibera à porta fechada, longe do escrutínio público. Para além disso, é o primeiro-ministro e não o Presidente que integra as sessões bianuais do Conselho Europeu onde são tratadas as questões da mais alta política. Portanto, tanto a nível sectorial como a nível de representação simbólica do País na UE, o Governo tem saído reforçado ao longo destes 20 anos.

O Parlamento nacional e em especial as oposições parlamentares são as principais "vítimas" deste reforço do Governo. Na Assembleia da República, as estruturas deficitárias informativas e analíticas dificultam a função de fiscalização dos actos do Governo. (Atenção que esta marginalização não é inevitável. Existem Parlamentos na UE que inovaram para conseguir fiscalizar no contexto da europeização das políticas.)


Por seu lado, o Presidente também fica diminuído na sua acção interventiva. É que a integração europeia, embora não se tenha traduzido numa diminuição formal dos poderes do Presidente, tem contribuído para uma erosão gradual da sua esfera de influência."

Apesar de longa, esta citação do interessante artigo de hoje de Marina Costa Lobo, no Diário de Notícias, corrobora a minha tese de que hoje os portugueses só são chamados a escolher por sufrágio directo e universal quem manda menos.

Sobre O Presidente Que Decidia Sempre Bem Mas Com Uns Aninhos De Atraso

O PR (não) conhece os portugueses, por Rui Costa Pinto, no Actual.

Sexta-feira, Janeiro 13, 2006

A Cassete

Todos os candidatos, com excepção de Cavaco que "chutou para canto", ao serem questionados sobre a noticia do tablóide "24 Horas", colocaram todos a cassete "Escutas não - Souto de Moura demissão Já".

A questão é que a notícia nunca referiu escutas, apenas registo de chamadas efectuadas.

Que crédito merecem estes candidatos a presidente, que opinam sobre uma notícia que nem sequer leram?
Que crédito merecem estes candidatos que dão como correcta, uma noticia que não leram, escrita por um "jornalista" da pior estirpe e publicada por um Jornal que usalmente tem por manchete ou uma mulher descascada ou factos da vida prvada de inúteis da nossa sociedade, e por mentira as declarações de Souto de Moura, procurador-geral da república e cidadão idóneo e titular de um importante órgão de soberania.

Sobre a tecnologia avançadissíma usada pela PT no registo detalhado das chamadas recomendo a leitura deste postal da Grande Loja.

Publicado também no "Nova Floresta"

Inquérito Cívico: Francisco Louçã

Como sabem até agora apenas Jerónimo de Sousa se dignou de responder ao nosso Inquérito Cívico.
A candidatura de Francisco Louçã respondeu à nossa solicitação desta forma:
caro bloguista~
a resposta a toda as suas questões está no manifesto da minha candidatura,à sua disposição
cumprimentos de
Francisco Louçã
Parece que o homem aprendeu algumas coisas com o Cavaco...
A candidatura de Mário Soares ainda é pior: aproveitou o contacto para nos atulhar a caixa de correio com propaganda eleitoral. Respostas? Nada!
As candidaturas de Alegre, Cavaco e Garcia nem a recepção do mail acusam. Enfim, valha-nos Jerónimo...

(In)justiça

A cada dia que passa temos de assistir a este triste espectáculo em que se tornou a nossa justiça.

Cada vez mais me parece que o "24 Horas" e o "Crime" são extensões do Ministério Publico e instrumentos de uma politica de investigação suja que não tem como objectivo a aplicação de uma justiça séria e justa.

Congressos, consensos, mais ou menos férias, mais ou menos funcionários, melhores ou piores instalações, declarações de intenções de presidentes, ministros e procuradores e nada parece resolver o problema.

Talvez os candidatos presidenciais se devessem preocupar seriamente com este assunto em vez de andarem a visitar empresas e a jantar com jovens de sucesso.

Não há sucesso algum que perdure com este estado de coisas na justiça.

Imprensa (13/01/2006)

- Cavaco volta a descer e Alegre descola de Soares
- 5 a norte e 1 a sul
- Sampaio: escutas são uma questão muito grave

- Garcia com banho de multidão em Chelas
- Louçã quer novas políticas culturais
- Louçã fala em abuso contra o país
- Louçã e Jerónimo cruzam-se na baixa de Coimbra
- Jerónimo recebe sugestões
- Jerónimo pelo ensino
- Jerónimo diz que cavaco tem um discurso vazio
- Jerónimo preocupado coma área da saúde
- Jerónimo diz que foi vigiado durante os governos de Cavaco Silva
- Jerónimo sempre em festa
- Alegre em Trás-os-montes
- Alegre em Coimbra e Mirandela
- Alegre em homenagem a Torga
- Alegre contra os partidos
- Alegre improvisa fado
- Cavaco endeusado no Porto
- Cavaco em Amarante
- Cavaco acredita que vai vencer à 1ª volta
- Cavaco apela a que ninguém fique em casa
- Cavaco não respeita limites de velocidade
- Cavaco e Soares em hóteis de luxo
- Espírito de Sócrates acompanha Soares
- Soares considera Cavaco um homem honesto
- Soares sobre escutas: está em causa a democracia
- Soares e os disparates de Cavaco
- O homem da campanha de Soares
- Soares diz que governo devia explicar melhor as reformas

Santana Dá Um Toque Humano À Campanha De Cavaco

Dez Anos É Pouco Tempo

Esta campanha presidencial está a ser fraca, cinzenta e entediante. Fraca porque não tem tido motivos de interesse. Cinzenta porque os principais candidatos defendem no essencial o sistema de Governo que vigora em Portugal. Entediante, porque bem ou mal, todos já interiorizaram que o vencedor está encontrado.

Isto acontece porque a esquerda fez da sua luta presidencial uma amostra em quatro cacos e porque Cavaco Silva não precisa de arriscar uma vírgula fora da cartilha que lhe foi passada pelo seu marketing. É o Presidente anunciado há muito tempo e tem desfilado alegremente não pela Avenida da Liberdade, como Mário Soares queria evitar, mas pelas avenidas dos votos. É mais ou menos como se a Superliga começasse com o campeão escolhido à partida e o interesse da época desportiva se limitasse à questão de saber que clubes conseguiriam ir à UEFA ou evitar a descida de divisão, que é o problema particular de Jerónimo e de Francisco. Como é evidente seria uma neura emocional e uma pobreza desportiva. Este é o estado da campanha presidencial.

Por outro lado, o Presidente da República no sistema de governo português, que a elite partidária endeusou na Constituição com a patética aura (traiçoeira…) da eternidade, não faz da figura do Presidente propriamente uma fonte de entusiasmo. Este é o interesse do debate político da campanha. Ele tem oscilado entre o passado e o perfil.

E assim será até dia 22 de Janeiro se a esquerda não conseguir finalmente publicar um escândalo na imprensa que arrase Cavaco Silva e que, no estado em que está esta Pátria conformada que nem o Poeta consegue despertar, terá de ser mais do que um escândalo, um verdadeiro sismo político.

Mas isto não quer dizer que o resultado destas eleições seja politicamente indiferente ou não produza consequências. Vai produzir e muitas, mas na esfera da carreira política de alguns e na definição de alguns ciclos eleitorais seguintes. E tenho até o palpite de que essas consequências serão de longo alcance partidário.

Não pretendo aqui colocar-me no tradicional papel daqueles comentadores políticos, cujas científicas, categóricas e definitivas previsões sobre os congressos partidários feitas à meia-noite são desmentidas às três da manhã. Também que a história não se repete e que a política hoje evolui à necessidade da luz. Mas quando todos palpitam sobre o futuro, penso que não é demais interpretar o que vai na cabeça de cada um dos protagonistas para o futuro político do país caso Cavaco silva confirme nas urnas as previsões das sondagens.

A tentação de olhar para dez anos de Cavaco Silva em Belém em termos simétricos aos dez anos de Mário Soares em Belém é quase irresistível.

Então, vejamos: enquanto durou Mário Soares em Belém o PS nunca conseguiu cheirar o poder. Vítor Constâncio tentou e perdeu para a maioria absoluta do PSD. Jorge Sampaio tentou e perdeu para a maioria absoluta do PSD. O PS queimou duas lideranças. Só António Guterres, com a maioria absoluta do PSD esgotada e Mário Soares de partida conseguiu fazer voltar o PS ao poder, coincidindo com o ciclo presidencial do PS.

Pois bem: há seguramente neste momento quem veja as coisas assim: Cavaco Silva irá para Belém, em princípio por dez anos. O que implica que a oposição do PSD à maioria absoluta do PS terá a dificuldade de esbarrar em Belém com um aliado objectivo do PS de Sócrates por estar convictamente obrigado à defesa da estabilidade política. E esta será uma grelha fatal que churrascará os próximos líderes do PSD. Com Marques Mendes à cabeça no PSD e por arrasto Ribeiro e Castro, no outro partido (terminologia cavaquista para designar o CDS).

Isto só tem uma possibilidade de saída que é a de a oposição ser feita conjunta e simultaneamente ao Governo e ao Presidente. A Sócrates e a Cavaco, ao estilo dois em um. Já se viu o suplício que é para o líder da oposição, de cada vez que ataca o Governo ver o PS a responder-lhe: “Nem Cavaco Silva está de acordo convosco!” e este ter de estar quieto e mudo em nome da estabilidade em que convictamente acredita? Ninguém resiste.

Talvez fosse a isto que Pacheco Pereira sibilinamente se referiu quando escreveu no seu blogue que “estas eleições são muito mais interessantes do que parecem, muito mais importantes do que se imagina. Elas mexem fundo no sistema político-partidário, nos partidos, nos grupos dentro dos partidos, nas personalidades. Muita coisa vai começar, alguma está a acabar de forma inesperada”.

Talvez seja isto também que tenha levado Santana Lopes a dizer o que disse na entrevista à SIC Notícias que tanto incomodou Cavaco Silva e os seus estrategos. Talvez seja isto que explique a incontida vontade de Paulo Portas regressar já em 2006 à chefia do outro partido que apoia Cavaco Silva, em quem, de passagem, e como gato sobre brasas, disse que votava, remetendo-se posteriormente a um silêncio descomprometido, enquanto o seu sucessor está a passar as “passas de Boliqueime”. A esta hora, Portas já deve estar a deliciar-se com outra oportunidade de passar a perna a um PSD que antevê decadente e manietado por muitos anos.

Mais: profissional como é, calculista como é, não me espantaria que Cavaco Silva já tenha decidido até quem quer deixar em S. Bento quando tiver de sair de Belém. E de uma coisa tenho eu a certeza: esse homem não é certamente Marques Mendes, Santana Lopes ou, muito menos, Paulo Portas.

Até poderá acontecer que nada disto se venha a passar assim. Mas nada impede que muita gente se esteja a posicionar em função de uma eventual convicção de que é isto mesmo que está à beira de acontecer. Afinal de contas, dez anos é pouco tempo. Sobretudo, para quem tem quarenta.
(publicado na edição de hoje do Semanário)

Os Donos Da Política


O candidato presidencial Garcia Pereira foi ontem entrevistado por Judite de Sousa na RTP 1. É uma vitória da cidadania contra os novos senhores das democracias: os tiranetes da antena que servem, venerados, os senhores dos poderes.

Subitamente Garcia Pereira deve ter passado a ter representação parlamentar para ter passaporte para os estúdios da RTP. Sabe-se como a RTP, que convém nunca esquecer vive à conta do trabalho dos portugueses, porque é concessionária do serviço público de radiotelevisão, é avessa a respeitar as leis da comunicação social e as recomendações da Comissão Nacional de Eleições. Sobretudo em períodos de disputas eleitorais.

Dá antena aos candidatos que quer e lhe apetece, estabelece o critério mais conveniente do momento para se justificar e mesmo assim, quando nada mais resta, argumenta com o racional e justo “porque não!”. Num operador privado é discutível, porque as leis da República quando nascem são para todos. Mas numa empresa do Estado, paga pelos impostos dos cidadãos, é pura e simplesmente manipulação.

Saúde-se o vitorioso. Registe-se o precedente. Até porque quando a representação parlamentar súbita nasce, é para todos.
(publicado no Democracia Liberal)

Pergunta Do dia

Entre 1985 e 1995, quem é que mandava no país ?

Ao Vivo E A Cores

No Jornal da Noite da SIC assistiu-se a um episódio... estranho. Foi notícia que Louçã não conhecia pessoalmente Cavaco até à data do debate para as presidenciais. O pivot passa à reportagem em que se vê Louçã sorrindo, reconhecendo que realmente nunca tinha visto antes em carne e osso o seu adversário. Saltamos para o repórter e este não resiste: o líder do BE nunca tinha estado com Cavaco, mas tal falha nunca o havia impedido de afirmar que conhecia bem a pessoa e o trabalho do candidato do PSD/CDS e de até o criticar!
Bem... do que estaria à espera este profissional da «informação» (entre aspas porque exorbitâncias destas já entram no domínio da interpretação e condicionamento)? Só mesmo um Pinto da Costa é que poderia responder qualquer coisa do género «Não sei quem é esse senhor, nunca me foi apresentado.» A política é coisa pública, meu caro! Não exige nenhum shake hands prévio. Já agora: perguntaram ao Cavaco a mesma coisa? Não se ele conhecia o candidato Professor Cavaco Silva (e daí talvez não fosse má ideia... só para averiguar até que ponto o homem domina o guião...) , mas o candidato Francisco Louçã?

O Porco

Num dos tempos de antena de Francisco Louça, são apresentadas imagens de confrontos com a polícia alternadas com a imagem de um homem de costas que está a comer. A voz off vai dizendo : “… se não lhe sabe bem…”. Até que aparece a imagem da comida e o que vemos é isto com as palavras de fundo : “… então por que é que insiste em comer ?

Desde o PSR que Louçã sempre gostou de chocar. De fazer passar a mensagem através de imagens fortes e palavras fortes. De certa forma até se compreende. A alternativa seria apresentar as suas ideias.

Mas estas imagens não são fortes. São pura e simplesmente nojentas. E revelam bem o porco nojento que é o Prof. Dr. Francisco Louçã.

Quinta-feira, Janeiro 12, 2006

Professor Doutor António Garcia Pereira

António Garcia Pereira [rectius: Professor Doutor António Garcia Pereira, tal como aliás o Professor Doutor Francisco Louçã; muito embora só Cavaco Silva tenha acrescentado o nome Professor, no Registo Civil, ao seu nome de nascença] é já uma presença mítica das eleições presidenciais. Não há presidenciais que se prezem sem o mais persistente e coerente [tão coerente como Cunhal] dos candidatos: Garcia Pereira. Com a política nas veias, herdada do seu avô, Ministro das Finanças durante a 1ª República, é por natureza um contestatário. Quando começa a falar, é um verdadeiro falador-a-jacto. Fala mais depressa do que a velocidade do som e dispara em todas as direcções. O seu ar de militante de partido clandestino que distribui panfletos proibidos quando escurece, suado, não muda ao longo dos anos. Por vezes, quando fala, abusa nas figuras de estilo: hoje, por exemplo, afirmou que "Mário Soares carrega um cadáver às costas, que é o cadáver do Governo". Nunca votei nele, e estas eleições não serão excepção. Mas é um animador da campanha infungível nas dentadas que dá aos calcanhares dos seus adversários. E uma das minhas músicas preferidas é também a dele: Adagio, de Tomaso Albinoni.

Uma Lição Para Os Abstencionistas

"Dez reclusos do Estabelecimento Prisional de Lisboa (EPL) votaram esta quinta-feira antecipadamente para as eleições presidenciais do dia 22, na presença de um vereador da autarquia da capital.

Além dos 10 reclusos, o vereador da Câmara Municipal Lisboa António Prôa, em representação do presidente da autarquia, também recolheu hoje os votos de quatro doentes internados nos hospitais Egas Moniz (2) e Júlio de Matos (2).

Os doentes e os reclusos, que podiam votar antecipadamente entre segunda-feira e hoje, tiveram de comunicar, até 2 de Janeiro, essa intenção ao presidente do município do concelho em que se encontrem recenseados.

Os 10 reclusos votaram hoje na presença de António Prôa e os boletins de voto foram colocados num envelope branco e este num outro azul, que foi lacrado e identificado com o número de eleitor.

Os autarcas enviam depois os votos à mesa da assembleia em que o eleitor deveria votar, ao cuidado da respectiva junta de freguesia, que tem até ao dia 18 de os remeter ao presidente da mesa da assembleia de voto.

Segundo a lei eleitoral para o Presidente da República, os votos dos doentes e reclusos são os primeiros a ser colocados nas urnas no dia das eleições.

No EPL há 968 reclusos, mas apenas 10 votaram para as presidenciais, um aadesão que António Prôa considerou baixa «não por causa da burocracia», mas por «não ser uma prioridade» desta população.

A fraca adesão é também justificada pelos 343 detidos estrangeiros no EPL, que não têm direito a votar em Portugal.

Pedro Inverno, que está detido no EPL há cinco meses, também considerou que a fraca adesão está relacionada com o número de estrangeiros, a falta de informação interna e de recenseamento.

«Há pouca informação interna sobre as eleições. Apenas afixaram um cartaz», disse o recluso após ter votado.

«O facto de um preso votar não vai adiantar grande coisa. Acho que votariam mais se os candidatos prometessem reformular a duração das penas», afirmou, sublinhando que é «importante votar», apesar de estar preso.

Fernando Francisco, que votou hoje pela primeira vez aos 29 anos, tenciona exercer «sempre» este direito e lamentou que no EPL «não se fale sobre as eleições».

«É importante votar, todos os cidadãos têm uma palavra a dizer», afirmou, adiantando que tem vindo a acompanhar a campanha eleitoral através da televisão, o que tem «dado uma boa ajuda» para se informar sobre os candidatos.

Fernando Francisco só agora se recenseou e foi um técnico das aulas de apoio aos toxicodependentes que o incentivou.

Jorge Tomás, 33 anos, é a segunda vez que vota e disse que o faz porque tem «esperança em ter uma vida melhor».

«Voto porque espero encontrar lá fora um país mais aberto, principalmente para os reclusos que têm dificuldades em arranjar trabalho e são discriminados», disse.

Jorge Tomás gostava que um candidato visitasse o EPL durante a campanha e se tivesse oportunidade dizia-lhe «para tomar conta do país e levasse o país para a frente».

A partir de hoje e até 17 de Janeiro, decorre o prazo para a votação antecipada dos militares e agentes de segurança em funções no dia das eleições e os trabalhadores marítimos e aeronáuticos que se encontrem embarcados ou deslocados.

Nestes casos, não é necessária uma comunicação prévia, podendo os eleitores em causa votar no dia em que se deslocarem às câmaras municipais para manifestar a vontade de exercer o voto antecipadamente".
Fonte: Lusa

Imprensa (12/01/2006)

- Cavaco desce e Soares e Alegre empatam
- Política baixa
- Rentabilizar os espaços de opinião
- Os cartazes
- Os bigodes
- Os comícios
- Doentes internados e presos já votam

- Garcia: Soares carrega cadáver do governo
- Garcia quer debate sobre desemprego
- Louçã: Cavaco é senhor instabilidade
- Louçã acutilante
- Louçã: candidatos sem temas
- Jerónimo visita fábrica de cerâmica
- Jerónimo: não vou fazer frete a Soares
- Jerónimo defende sector cooperativo
- Jerónimo contra propinas
- Jerónimo: está tudo em aberto
- O homem que faz a imagem de Jerónimo
- Jerónimo no Porto e Matosinhos
- Minho recebe Alegre de braços abertos
- Alegre fala em bipolarização
- Alegre: PSD quer chegar ao governo
- Alegre: salto para Espanha e Presidenciais
- Alegre fala em novo poder dos cidadãos
- Santana amargou campanha de Cavaco
- O ataque de Santana
- Pouco entusiasmo por Cavaco na Beira Interior
- À espera dos portugueses
- Kátia Guerreiro: a 1ª dama
- Cavaco: deixemos as querelas
- Vitória de Cavaco pode causar turbulência política
- Cavaco promete ser um homem livre
- A democracia de Cavaco
- Soares fala em interesses ilegítimos por trás de Cavaco
- Soares: Cavaco só diz disparates
- Soares alerta para o perigo do retorno do cavaquismo
- Soares agita fantasma do cavaquismo
- Soares: não perco nada nesta campanha

Direito De Antena Do Leitor

Os Media E Luís Botelho Ribeiro
Parece-me que há uma confusão neste debate que opõe pré-candidatos e as TV's ou media em geral. Essa confusão decorre de e prolonga uma profunda tradição anti-política (no fundo tradicionalista) que caracteriza Portugal.
1. Nas sociedades modernas (ao contrário das outras) os poderes do Estado são separados e juridicamente independentes (embora obrigados, para auto-perpetuação) à famosa solidariedade institucional.
2. O 4º poder diz-se assim porque, com a liberdade de imprensa (de opinião e de expressão, o que é tudo a mesma coisa), goza de uma larga autonomia jurídica, desde que adira à solidariedade institucional.
3. Alternativa e doutrinariamente, no campo moderno temos o modelo totalitário - em que a solidariedade institucional subverte a autonomia por submissão de todos os outros poderes do Estado a um só, que pode ser Presidente ou Primeiro Ministro ou Chefe Militar - e fora do campo da modernidade temos os fundamentalismos religiosos ou étnico-patrióticos, como em África acontece muito, mas também noutros continentes, incluindo o europeu (cf. Balcãs, recentemente com adesagregação da Jugoslávia).
Em resumo: o direito à livre expressão dos cidadãos não é, nunca foi, julgo que nunca será, uma oferta, uma dádiva, uma saída de um concurso de um reality-show. Como a reclamação de um direito de expressão não é a declaração de uma vítima: é um empreendimento político, que usa a ambiguidade entre a realidade e a norma, entre o que é e o que se diz que se desejaria que fosse.
Já agora deixo a minha opinião: a) desta vez muitos espontâneos sentiram necessidade de dar a cara pela Presidência da República: isto é um sinal de qualquer coisa; b) o efeito de eucalipto que a política à portuguesa tem acarinhado deixa a intervenção cívica voluntarista - aquela que sai das entranhas, sem preparação - ridicularizável; c) a modernização do país (e da Europa, noutro nível) passa por superar este "gap" entre os cidadãos e a política, pelo que, independentemente dos erros, pessoas como o Luís Botelho Ribeiro (com quem sei que discordo politicamente de opções fundamentais) fazem falta; d) os erros são a única forma de aprender a fazer política: lutando por isso, como ele fez. Tiro-lhe o chapéu!
[António Pedro Dores, em reacção ao debate n'O Eleito]

Porque Detesto O PCP, Porque Não Voto Jerónimo.

Neste post referi os motivos porque não voto em Cavaco nem em Soares. Neste outro, estão alguns dos motivos porque não voto Alegre, nem Louçã, nem Soares. Daqui podem-se inferir, também, razões que me levam a negar o meu voto a Cavaco, Soares e Alegre. Aqui dei outros motivos para não votar em Cavaco, tal como aqui. Ali, estão mais motivos, de monta, para eu não votar Soares… Já neste post, mais antigo, refiro alguns dos motivos porque não voto em Louçã, ou Jerónimo.
Enfim, por todo o meu blog (Sociocracia) existem muitos textos que "explicam" porque me abstenho e me bato pela valoração da abstenção...

Hoje decidi explicar outros motivos que me levam a repudiar a candidatura de Jerónimo, à Presidência.
Jerónimo, a meu ver, é um mero “papagaio” do PCP.
Este meu génio irreverente (alguns dirão malcriado), inconformista, rebelde, “desalinhado”, não é de agora. Se tiverem isso em conta, não estranharão a história que vou contar.

Pouco depois do 25 de Abril, frequentava eu o “Liceu” Pedro Nunes, elegeram-me para representar a turma, tendo a eleição decorrido na minha ausência.
Na primeira reunião de delegados de turma, estrutura que estava totalmente dominada por caciques do PCP (havia mesmo um, exterior à Escola, que vinha apenas para controlar), apresentou-se, também, um colega meu, de turma (que não tinha sido eleito), elemento do PCP, que estava ali para sancionar, tutelar, ou não, as minhas posições.
E sabem porquê?
Porque, segundo ele, o (ou a) autor da ideia da minha eleição terá “justificado” a escolha dizendo que “eu falava muito…”. E, com este estratagema, tentaram me manipular e humilhar, me afectar psicologicamente, de modo a que consentisse na cabala.
Portanto, segundo as opiniões deste meu colega de turma e do cacique, eu devia permitir a presença daquele (o meu colega de turma), na reunião de delegados, com direito a opinião.
Quem me conhece um pouco melhor já está a ver o resultado deste golpe… Mas para quem não imagina, eu conto.
Logo que me confrontaram com a situação, nos termos que descrevi, respondi que fora a mim que a turma elegeu, se o outro queria contestar a eleição que o fizesse, na turma. Portanto, na reunião, ou ficava eu ou o outro “intrometido”; mas os dois é que nunca! “Caiu o Carmo e a Trindade”; submeteram-me a todo o tipo de coacção, com insultos e injúrias pelo meio. Como, mesmo assim, eu recusasse ceder, o “cacique” virou-se para mim e disse-me, no meio de impropérios: - “tenho um wolkswagen (naquela altura, um carocha), com a matrícula ….?..., de cor …?...; quando te apanhar a atravessar uma rua atropelo-te e mato-te!”…
Não me lembro de, em qualquer outra altura, ter sido alvo de ameaças, terroristas, assim tão claras e explícitas como esta…
Abandonei a reunião (porque o outro teimou em ficar) e fui colocar a questão à turma, obviamente. Voltaram a eleger-me e proibiram o outro de participar nas reuniões, em representação da turma. Este “outro” desistiu, (deixou de frequentar a escola) em pouco tempo. E o cacique também desapareceu…
A mim a experiência serviu para compreender a natureza, pérfida, do PCP; o seu comportamento reaccionário e incompatível com a democracia…
Mas não é só por isso que eu não voto em Jerónimo. É que, ao longo dos anos, “a natureza” do PCP não se alterou, pelo contrário.
Vejamos os motivos, próximos, da minha repulsa (que são apenas repetições, exemplos, do que o PCP tem feito, sempre, ao longo destes 30 anos de “democracia”):
Todos conhecem a “novela” do referendo sobre a lei do aborto. A meu ver, essa lei, absurda e ilegítima, pelos motivos que explico aqui, continua em vigor porque nesta “novela conspirativa” estão envolvidos o actual Presidente (que recusou este referendo pretextando a “necessidade” de realizar um outro, tão importante, que nem chegou a acontecer… este presidente é um homem de visão); envolve também o TC (que rejeitou a nova convocação do referendo com pretextos absurdos, com a colaboração do seu elemento afecto ao PCP); e, até pelo que fica dito, envolve também, e muito, o PCP.
Este é um exemplo, mais um, em que o PCP demonstra que, para afirmar o seu “poder” e se afirmar na política, não olha a meios. É um exemplo, mais um, onde o PCP demonstra que só está interessado em se afirmar, nem que, por esse objectivo, colabore em cabalas e viole as regras da democracia. Ah! O PCP apressou-se a “justificar” a decisão, absurda, do Presidente, quando recusou o referendo (pelo tal outro, que não aconteceu)… Tudo farinha do mesmo saco. Entretanto, as pessoas que estão a ser molestadas, ilegitimamente, com esta lei absurda, continuam a sofrer… devido à lógica, cretina, que o PCP usa para decidir as suas atitudes e se afirmar…
Todos conhecem aquela coisa escabrosa que tem sido designada como “Processo Casa Pia” e, no seu âmbito, os muitos abusos de poder, distorções e omissões (para não entrar em detalhes mais escabrosos), cometidos ou consentidos e “apadrinhados” pelo PGR. Qualquer pessoa minimamente digna reconhece que o PGR devia ser responsabilizado por todos os abusos cometidos e consentidos e, no mínimo, devia ser demitido. São muitos os exemplos, na blogoesfera e não só, de pessoas que subscrevem esta opinião. Neste link e neste, (donde destaco: De Sousa Franco encarregou-se o destino, do resto tratou Souto Moura. Nunca tão poucos decidiram o destino de uma democracia), estão dois exemplos do que digo, mas há mais…
Como todos sabem, o candidato Jerónimo visitou, recentemente, o PGR, tendo atribuído as “culpas” do desenrolar do escândalo da Casa Pia, “a pressões partidárias” e defendido que “o PGR deve cumprir o mandato até ao fim”…
Eu concluo, daqui, que o PCP é um partido sem dignidade. Quem foi que disse que os actos do PCP se pautam por critérios dignos e idóneos da sociedade?
É claro! A “dignidade” dos actos do PCP desaparece quando existem elementos seus envolvidos nas cabalas e/ou quando as cabalas atingem outros partidos e o próprio é poupado… O que faz com que "a conversa" do PCP seja apenas demagogia, da mais primária...
Como eu acho que os nossos principais problemas estão no não funcionamento da justiça e na impunidade garantida à alta criminalidade (por estas vias), bem se vê que não acredito nas “boas intenções”, nas falácias, do PCP, que assim tem demonstrado a sua verdadeira natureza e a sua cumplicidade com os nossos piores flagelos…
São apenas alguns dos MUITOS motivos que me fazem não votar Jerónimo.
Acerca destas questões, e não só, o candidato que assume posições mais dignas, que merecem a minha concordância, é Garcia Pereira. Em próximo post explicarei porque não voto Garcia…

Nota: Não pretendo influenciar as opções de ninguém (não é necessário: os abstencionistas são, já, em número suficiente), apenas explicar os MEUS motivos…

A Coerência Do Costume

É sempre importante deixar claro as ideias dos candidatos sobre os diversos assuntos independentemente de estas serem polémicas e por alguma razão passarem um pouco ao lado dos noticiários principais.

Aconteceu isso com Soares quando ele revelou a sua nova ordem mundial em que Ribeiro e Castro é um grande Socialista oriundo do CDS porque o PP nem existe... e acontece agora com a sugestão de relançar a discussão sobre a energia nuclear de Cavaco.

Quase não apareceu nos restantes jornais e televisões mas ontem no Diário Económico, o candidato fez a apologia da energia nuclear como tábua de salvação para a independência energética.

Não vou discutir aqui as vantagens e desvantagens da energia nuclear, mas parece-me interessante que a sugestão de Cavaco após as palavras de Sampaio (09/01) sobre a energia e os desafios que ela representará no futuro tenham tido reflexo no discurso do candidato que esforça por não se comprometer.

Mas se a sugestão em si mesmo até pode ser considerada válida e até é razoável que o país discuta esta questão devido à proximidade de centrais nucleares espanholas, o que já não é normal é que perante a expectável contestação das populações, a noticia acabe por passar como nota de rodapé.

Para uma grande maioria dos portugueses a histeria colectiva, o corte de estradas e as visitas a Belém e São Bento com sacas de material supostamente radioactivo e a condenação a uma morte atroz das criancinhas, começa mesmo antes de se conseguir terminar as palavras ATERRO ou CO-INCINERAÇÃO... como seria se esses portugueses tivessem visto na TVI que o professor quer uma central nuclear*????

*Provável expressão a utilizar exclusivamente no jornal da TVI

Cuidado...

Querem lá ver que se Eleito se candidatasse às presidenciais ainda ganhava? Está certo. Todos temos o direito ao nosso momento de decontracção.

Não Temos 13.000 Posts, Mas Andamos Lá Perto. Este É O Post Número 562.


Visão n.º 671, de 12 a 18 de Janeiro de 2006

Powered by Blogger