O Eleito

sexta-feira, janeiro 20, 2006

O Ilusionismo


Como escreveu Vicente Jorge Silva no Diário de Notícias de quarta-feira, o país no domingo prepara-se para plebiscitar uma ilusão. Já ao contrário do que escreveu Vasco Graça Moura no mesmo dia, no mesmo jornal, mas na página ao lado, a vitória de Cavaco Silva nas eleições presidenciais não significa o fim da crise nacional. Pela simples razão de que se tratará nessa eventualidade da vitória de um dos seus mais ilustres autores.

À míngua do pensamento actual, temos de recorrer ao passado para desmontar a ideia de Graça Moura. As auto-estradas foram óptimas. Tanto que os socialistas que antes as criticavam as continuaram a fazer. As privatizações eram certamente necessárias e indispensáveis, mas foram tremendamente mal feitas. Durante anos pagámos a factura das nacionalizações. E hoje pagamos a factura de algumas dessas privatizações. As privatizações estão para o cavaquismo como a descolonização esteve para o gonçalvismo. Uma boa ideia arruinada pelo método.

No mais tudo o cavaquismo engordou. O clientelismo, a partidarite, a despesa pública, o défice do Estado, o peso do Estado na vida dos cidadãos, o depauperamento da soberania nacional (o poder de mandarmos na nossa vida colectiva), a ineficácia e a inoperância do sistema educativo.
O problema é que estes erros em Cavaco Silva são uma ideologia. Hoje o candidato presidencial concorda com tudo o que permitiu ao Primeiro-Ministro executar essa ideologia. A Constituição, o sistema de governo, os poderes presidenciais. No que quer mexer não pode. Onde pode, não quer. A sua vitória não será o fim da crise mas a consagração do seu clímax.

(publicado na edição de hoje do Democracia Liberal)

1 Comments:

Blogger Pedro Santos Cardoso said...

O senhor da foto parece-me Tom Waits.

6:22 da tarde  

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