O Eleito

sábado, novembro 05, 2005

www.manuelalegre.com

Embora muito pouca coisa nos una não posso deixar de concordar com o Jorge Ferreira.

À esquerda nada de novo. De facto está tudo no discurso de Alegre. Se alguém não se revia nas candidaturas existentes podem a partir de agora fazer campanha por Alegre.

Uma sala cheia, como convêm, à determinação de defender a pátria (a palavra não encerra em si qualquer problema, mas assusta-me) é essencial à organização de um pacto económico e social que nos una a todos em torno de objectivos comuns. Quem diria que a ideia de uma convicção comum a todos poderia alguma vez provir de Alegre.

Provedor da democracia (que mania esta de quererem ser provedores, esqueceram que já há um?) augura uma nova cidadania, e provavelmente torna-se o ideal para os que aqui defendem a refundação da República.

Crítica à partidarização do aparelho de estado e ao governo, quanto baste, para ir buscar alguns insatisfeitos com dificuldade em recordar que até há dois meses Alegre reivindicava apoios partidários do PS.

Um site onde outros optaram pelo nome da pátria (porque isto da campanha custa caro e a presença na internet é dinamizador) e um mandatário para a juventude a cair para o irreverente, embora já com algum cheiro a establishment e está completo o quadro.

Vamos esperar para perceber até que ponto Alegre tem capacidade de percorrer todo o caminho até uma segunda volta em que parece apostar.

1 Comments:

Anonymous jbmagalhaes said...

Escrevi, na coluna "Educação e Cidadania" passado Domingo (10/12/005) o seguinte texto:
Educação e cidadania


Previsibilidade frustrante

• João Baptista Magalhães

Já toda a gente compreendeu que os debates entre candidatos à Presidência da República reflectem meras estratégias de captação de votos, sem qualquer ideia mobilizadora do eleitorado. Percebe-se que Mário Soares jogue na lógica bipolarizadora, promovendo expectativas no que poderá acontecer no debate com Cavaco Silva. Mas essas expectativas só dizem respeito às emoções que o espectáculo pode despertar e pouca influencia terão na decisão do voto. Perdeu-se uma oportunidade única para o PS mobilizar os seus apoiantes em torno dos objectivos do Governo, promovendo um debate sobre o perfil do candidato a apoiar, no contexto dos problemas do país. Poderia ter feito como fizeram os dirigentes das organizações de esquerda em Itália que, tendo presente as eleições do próximo ano, decidiram submeter à votação do conjunto dos seus simpatizantes a escolha do seu candidato. Mas isso não foi feito. Os dirigentes do PS preferiram orientar as suas decisões pelo pragmatismo utilitário-eleitoral e, confiantes no poder da retórica de Mário Soares para vencer Cavaco Silva, decidiram desconsiderar o poeta que sempre desprezou os jogos aparelhistas. Esqueceram que a crise de confiança nos partidos é o reflexo do descrédito da retórica politica e do insuportável espírito aparelhista que faz do partido um grupo de interesses, o que aproveita a alguns poucos, mas frustra a boa-fé de uma grande maioria. Esqueceram que o pragmatismo utilitário eleitoral tem esvaziado de sentido o conceito de esquerda, levando a que muitos já não acreditem nessa retórica e se perguntem: se, para Mário Soares, o que ontem afirmou já não conta para hoje, será que o que diz hoje contará para amanhã?!....
Esta desconfiança instalou-se e já é difícil fazer crer que a mesma água pode passar três vezes debaixo da mesma ponte. O autismo do PS dividiu o Partido e criou condições para que Cavaco Silva ganhe as eleições na primeira volta. Mas, se for possível um milagre, que seja Manuel Alegre a ir à segunda volta e a ganhar as eleições. Poderá ser que isso obrigue os “donos” do PS a perceber que o autismo político que se alimenta do aparelhismo só tem prejudicado a inserção do PS na sociedade e defraudado a sua base de apoio.

7:37 da tarde  

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