O Eleito

quinta-feira, janeiro 12, 2006

Professor Doutor António Garcia Pereira

António Garcia Pereira [rectius: Professor Doutor António Garcia Pereira, tal como aliás o Professor Doutor Francisco Louçã; muito embora só Cavaco Silva tenha acrescentado o nome Professor, no Registo Civil, ao seu nome de nascença] é já uma presença mítica das eleições presidenciais. Não há presidenciais que se prezem sem o mais persistente e coerente [tão coerente como Cunhal] dos candidatos: Garcia Pereira. Com a política nas veias, herdada do seu avô, Ministro das Finanças durante a 1ª República, é por natureza um contestatário. Quando começa a falar, é um verdadeiro falador-a-jacto. Fala mais depressa do que a velocidade do som e dispara em todas as direcções. O seu ar de militante de partido clandestino que distribui panfletos proibidos quando escurece, suado, não muda ao longo dos anos. Por vezes, quando fala, abusa nas figuras de estilo: hoje, por exemplo, afirmou que "Mário Soares carrega um cadáver às costas, que é o cadáver do Governo". Nunca votei nele, e estas eleições não serão excepção. Mas é um animador da campanha infungível nas dentadas que dá aos calcanhares dos seus adversários. E uma das minhas músicas preferidas é também a dele: Adagio, de Tomaso Albinoni.

12 Comments:

Blogger Biranta said...

Para mim, o grande defeito de Garcia pereira é ignorar a abstenção, tal como os outros...
Não compreendo como é que pode colaborar na palhaçada, se é desperdício de tempo e energias... E também porque, tendo em conta a abstenção, melhor se vê quem é que está nos calcanhares de quem. Garcia Pereira deve estar bem: está no lugar porque optou... Mas os outros são, TODOS, piores do que ele.. e não chegam aos calcanhares das aspirações dos cidadãos. São uma porcaria duns palhaços armados em líderes, que não lideram coisa nenhuma, porque não prestam...
Portanto, é tudo farinha do mesmo saco. Todos falam para o boneco e ignoram om essencial...
Mas há uma vantagem, para Garcia Pereira: não tem responsabilidades, pesadíssimas, no descalbro da nossa situação, ao contrário de todos os outros...

8:40 da tarde  
Blogger José Raposo said...

Garcia Pereira além de tudo o que dizes é tb um excelente profissional na àre do direito de trabalho...

No entanto nestas eleições presidenciais disse uma coisa numa entrevista na TSF que me ia fazendo ter um acidente de tanta perplexidade que me causou...

Garcia Pereira disse "O PS anulou a possibilidade da candidatura patriótica e necessária de Freitas do Amaral..." quem diria...

10:03 da tarde  
Blogger Pedro Santos Cardoso said...

Eu sei, José. Isso já deve ser amiguismo entre colegas da mesma área (Freitas é professor de direito em lisboa)... - o que não deixa ser ser estranho, ainda assin, num perfil como o de Garcia Pereira.

10:45 da tarde  
Blogger Mário Almeida said...

Em Portugal, por razões que também não compreendo, trata uns por Professor e outros não.

Cavaco e Louçã são um bom exemplo. Assim como Alegre, que nos debates era tratado por dr., e que eu saiba não o é. Mas ficava mal tratá-lo por sr. ...

Mas o melhor exemplo é o Professor de Educação Física, mais conhecido por Professor Carlos Queirós. Por que razão é ele tratado de Professor e os outros não ?

Portugal tem particularidades que nem nós próprios compreendemos, mas por favor, não culpem o pobre do Professor Cavaco Silva por não tratarem o Louçã também por professor.

12:31 da manhã  
Blogger David Afonso said...

Mário,
- Alegre é licenciado em direito (lá poderá ser tratado por dr, valendo isso o que vale).
- O problema do 'professor' em Cavaco é que esta forma de tratamento faz parte do aparato retórico que envolve este candidato. Uma espécie de marca distintiva que o pretende demarcar de outros candidatos. Em psicologia chama-se a isso "efeito de halo": destacar um traço que encandeie outros traços. Nesta ocasião, para criar o efeito especial de candidato independente e desligado da política usa-se e abusa-se do 'professor'. Faça um pequeno exercício: tem memória de Cavaco ser precedido de 'professor' antes destas eleições? Não, pois não? E isso será por mero acaso?

12:44 da manhã  
Blogger Mário Almeida said...

David,
Quanto a Alegre, se dizes eu acredito, mas tenho a ideia de já ter lido o mesmo em outro blog. Certamente enganado também.

Eu não nego que Cavaco goste de ser chamado de Professor. Por que razão não haveria de gostar ? Não é Professor ? Inclusive acenta que nem uma luva na imagem que quer fazer passar, ou seja, de competência, honestidade, etc.

(Todos os candidatos têm uma imagem que querem fazer passar. Soares, a do pai da pátria, bonacheirão... Alegre, do inconformado, do independente...)

Mas verdadeiramente, não abordas o ponte de vista que eu falei. Que eu saiba, não foi Cavaco que exigiu que o tratassem por Prof. e ao Louça não.

Por outro lado, tenho a ideia que sempre foi tratado assim. Como é que o tratavam antes ? Por Dr. ? Penso que não.

1:02 da manhã  
Blogger Pedro Santos Cardoso said...

David, alegre não é licenciado em Direito. Frequentou a Faculdade de Direito de Coimbra. Apenas.

1:25 da manhã  
Blogger David Afonso said...

Pedro, parece que fui induzido em erro por uma biografia do Alegre que o dava como tendo formação na área do direito. O que não estando completamente errado...

Mario, a questão do título académico de Cavaco foi puxada e repuxada pelo próprio candidato quando, sem grande sucesso, lá ía dizendo que não era político profissional mas um simples professor. A partir daí a inocência ficou perdida. Não exigiu porque existem maneiras mais inteligentes de condicionar a percepção do eleitorado. O elogio que fiz a Cavaco mantenho-o: não está mal o pacote, a equipa de marketing fez um bom trabalho!

2:23 da manhã  
Blogger Mário Almeida said...

"não está mal o pacote, a equipa de marketing fez um bom trabalho!"

Todos os candidatos, em todas as eleições e em todos os países, usam e abusam do marketing.

Faz parte do jogo. Podemos não gostar.

Mas verdadeiramente a culpa nem é dos políticos. Quando inauguram uma fonte uma semana antes das eleições não é porque acreditam que o povo se deixa enganar pelas lantejoulas ? E não se deixa ?

Enfim... outra discussão.

2:44 da manhã  
Blogger David Afonso said...

Não, é sempre e a mesma discussão: a política não pode ser um mero aditivo.

3:44 da manhã  
Anonymous Anónimo said...

O Garcia Pereira é um dos principais culpados pelo total descrédito da luta dos trabalhadores porque o seu estilo exacerbado e odioso o descredibiliza totalmente e, pior ainda, descredibiliza a causa dos trabalhadores.

Mais recentemente a sua vida privada vem mostrar que prega virtudes mas vive em falta, pois ao fim de 4 casamentos falhados juntou-se a uma ex-acompanhante, anteriormente conhecida como "Miss-Sandra" e que há 4 anos atrás era colaboradora assídua de casas como o Hipopótamo, Elefante Branco e Sampaio. Caso o Garcia Pereira não fosse político nada tinhamos a ver com esta escolha pessoal, mas quando se candidata à presidência da capital do país por inerência candidata uma rameira ao lugar de primeira dama da cidade. Mesmo sem qualquer possibilidade de vitória é condenável no plano dos princípios.

12:33 da tarde  
Blogger Cesar said...

Aconselho vivamente a leitura dos comentarios que se encontram em destak.pt no artigo "Garcia Pereira: TGC e aeroporto essenciais" referentes a este mesmo assunto! De facto, é muita baixaria e não vale sequer a pena alimentar este tipo de coisas.

4:59 da tarde  

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